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Juros caem forte com Flávio liderando o 1º turno

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Os juros futuros registraram uma queda significativa, caindo mais de um ponto percentual nos vencimentos médios e longos durante a segunda etapa do pregão. Com exceção dos títulos de curto prazo, as demais taxas retornaram a níveis inferiores a 13%, atingindo patamares não vistos desde outubro de 2024, motivadas pelos resultados do primeiro turno das eleições.

Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu ao assumir a dianteira sobre o presidente Lula (PT), reforçando a expectativa de alternância no poder em 2027, a possibilidade de o atual presidente reverter esse cenário até o segundo turno é vista como remota. Essa visão contribui para a percepção de que haverá um ajuste fiscal mais rigoroso no próximo ano. A ascensão da direita no Congresso, que facilitaria a aplicação de medidas econômicas necessárias por um eventual governo de Flávio, também tem sido recebida de forma positiva pelo mercado.

Com a redução dos riscos fiscais percebidos, a curva de juros já reflete a possibilidade de um ciclo de cortes mais acentuado na taxa Selic, com diminuições previstas nas duas últimas reuniões de 2024 e continuidade em 2027.

Ao final do pregão, a taxa do contrato DI para janeiro de 2027 caiu para 13,413%, de 13,53% anteriormente. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,749% para 12,650%, e o para janeiro de 2031 despencou de 13,99% para 12,700%.

O diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, comentou que o recuo nas taxas superou as expectativas iniciais do dia; esperava-se uma queda entre 50 a 80 pontos-base, mas o ajuste atingiu 100 pontos. Ele atribui essa movimentação à crescente percepção de que uma agenda econômica mais liberal será implementada, enfatizando que o movimento reflete antecipação do mercado e não é artificial.

Para Alexandre Espírito Santo, sócio e economista-chefe da Way Investimentos, a diferença de 2,3 milhões de votos entre Flávio e Lula não estava incorporada ao preço do mercado, o que contribuiu para o rali observado, assim como a nova composição do Congresso. A direita ampliou sua presença no Senado e terá a maior bancada a partir de 2027, com 44 dos 81 senadores, enquanto o PL garantiu a maior bancada na Câmara, com 121 deputados.

Alexandre destacou que, caso Flávio vença, haverá maior facilidade para aprovar medidas no Congresso, e que a dificuldade de Lula em governar aumentaria ainda mais se ele conseguir reverter o resultado.

Apesar do recuo nos juros, persiste um prêmio de risco fiscal significativo, pois o próximo governo enfrentará limitações para realizar mudanças radicais ou cortes expressivos, embora possa avançar em melhorias de produtividade e redução de impostos.

Thierry Wizman, estrategista global da Macquarie, pondera que o novo presidente herdará despesas obrigatórias crescentes, altos custos para serviço da dívida e flexibilidade orçamentária reduzida. Assim, para sustentar qualquer valorização dos ativos brasileiros, será essencial que Bolsonaro apresente um plano fiscal confiável após a eleição.

Na política monetária, o mercado revisou para baixo suas expectativas sobre a Selic, esperando um ciclo de cortes maior. A taxa terminal para 2026 caiu de 13,47% para 13,20%, e para 2027, de 13,50% para 12,50%. Entretanto, o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, ressalta que a volatilidade das sessões como esta exige cautela na interpretação desses dados.

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