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Idosa dos EUA apresenta pele azulada e preta após reação rara a antibiótico para rosácea
Imagens de uma mulher americana de 68 anos que desenvolveu manchas azuladas e escuras na pele após usar um antibiótico comum viralizaram nas redes sociais, destacando um efeito colateral raro desta medicação.
O caso foi divulgado no The New England Journal of Medicine, no dia 1º de setembro, descrevendo um fenômeno chamado hiperpigmentação causada pela minociclina, um remédio frequentemente usado para tratar rosácea e acne grave.
A paciente começou a consumir 100 mg diários de minociclina para controlar a rosácea, uma condição dermatológica que provoca vermelhidão, sensação de queimação e pequenas lesões inflamadas no rosto. Apenas duas semanas após o início do tratamento, ela notou manchas escuras aparecendo nos membros.
Com o tempo, as manchas escamosas, que variavam de azul acinzentado a preto intenso, começaram nas pernas, estenderam-se aos braços e até às laterais da língua.
Uma reação incomum e de longa duração
Os médicos diagnosticaram uma hiperpigmentação tipo II provocada pela minociclina, caracterizada por uma coloração azul-acinzentada na pele saudável, principalmente nas superfícies externas dos braços e pernas, conforme o relatório.
Há ainda dois outros tipos da condição: o tipo I, relacionado a cicatrizes e inflamações com manchas azul-escuras, e o tipo III, que causa áreas marrom-escuras nas partes do corpo mais expostas ao sol.
A paciente foi instruída a suspender o uso da medicação imediatamente e evitar exposição solar, pois os raios ultravioleta podem piorar a condição. Seis semanas depois, as manchas já haviam clareado parcialmente, mas ainda eram visíveis.
De acordo com um estudo da Universidade de Oxford mencionado no artigo, até 28% dos pacientes com rosácea tratados com minociclina podem apresentar algum nível de descoloração da pele, embora essa pesquisa tenha envolvido um pequeno grupo de pacientes.
Os autores chamaram atenção para a rapidez com que a reação apareceu. Normalmente, a hiperpigmentação tipo I surge no início do tratamento, enquanto os tipos II e III aparecem após meses de uso. “Embora geralmente se desenvolva após meses de tratamento, em casos raros pode ocorrer em períodos mais curtos”, explicaram à Live Science.
Não há consenso sobre a causa exata, mas especialistas acreditam que a reação esteja ligada à forma como o organismo metaboliza o antibiótico, possivelmente aumentando a atividade das células que produzem melanina, o pigmento que determina a cor da pele.
Em alguns casos, mesmo após a suspensão da medicação, a descoloração pode persistir por anos e, em situações mais raras, até se tornar permanente.

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