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Instituto Pipa ganha prêmio global com programa que apoia famílias vulneráveis

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Uma iniciativa desenvolvida em Pernambuco para ajudar mães e cuidadores de crianças pequenas foi reconhecida como uma das vencedoras do Good Start Challenge, uma competição internacional que reuniu mais de 1000 projetos de vários países em busca de novas maneiras de melhorar o bem-estar dos responsáveis pela primeira infância, período que vai até os 6 anos.

Entre as organizações premiadas, o Instituto Primeira Infância Plantar Amor (Pipa), criado no Recife, Pernambuco, se destacou como principal vencedor brasileiro. O Pipa trabalha há oito anos com famílias e o desenvolvimento infantil. Com a vitória, o instituto receberá um investimento de €250 mil, aproximadamente R$1,5 milhão, para ampliar sua metodologia em âmbito nacional.

Além desse valor, o instituto obteve um segundo investimento no mesmo montante de um empresário local. O objetivo é usar cerca de R$3 milhões para continuar aprimorando a tecnologia social e alcançar 1 milhão de famílias brasileiras até 2035.

O Programa Pipa parte do princípio de que cuidar bem de uma criança exige atenção também para as condições dos seus cuidadores. Ele aborda desafios da parentalidade, especialmente em famílias vulneráveis, como o excesso de carga materna, saúde mental dos adultos responsáveis e falta de redes de apoio, fatores que impactam diretamente o desenvolvimento das crianças.

Estudos indicam que quando adultos são disponíveis, atenciosos e responsivos, proporcionam uma base segura para o desenvolvimento integral dos bebês e crianças. As primeiras relações afetivas contribuem ativamente para as conexões neurais e formam a arquitetura cerebral, estimulando as habilidades físicas, socioemocionais, cognitivas, motoras e de linguagem.

Rogério Morais, diretor-executivo do Pipa, destaca: “Ao cuidarmos dos cuidadores, colocamos a criança e seu desenvolvimento no centro das ações. Nossa experiência mostra que o bem-estar dos cuidadores beneficia toda a família, principalmente nas primeiras fases da vida, até os 3 anos”.

Na região Nordeste, mais de 3 milhões de famílias com crianças de 0 a 6 anos vivem em situação vulnerável; 74% dessas são chefiadas por mães solo, enfrentando pobreza e insegurança alimentar. O Pipa apoia essas mulheres, oferecendo escuta, orientação e conexão com redes de apoio.

Com os novos recursos, o foco será no fortalecimento da tecnologia, produção de evidências, monitoramento, formação de lideranças e testes para implementação em outras regiões. O método, desenvolvido inicialmente com famílias pernambucanas, será disseminado para alcançar mais áreas, sem depender exclusivamente da capacidade direta de atendimento do instituto.

Pesquisas avaliaram que mães participantes do programa passaram a praticar uma parentalidade mais responsiva e que 72% das crianças em alerta ou abaixo do esperado para a idade apresentaram progresso significativo no desenvolvimento em ao menos uma área.

Rogério Morais afirma: “Esse reconhecimento é importante e se deve a um rigoroso processo de revisão e testes do programa, buscando ampliar sua abrangência sem perder a qualidade no cuidado”.

O Programa

Idealizado no Recife pelo Instituto Pipa com apoio técnico do Tempojunto, o programa funciona como uma linha direta entre mães de crianças na primeira infância e uma rede pronta para apoiá-las. O lema é garantir que nenhuma mãe se sinta sozinha.

O atendimento é realizado pelas Estrelas Guias, profissionais que acompanham as mães, conversam, compreendem suas situações e conectam-nas a especialistas como terapeutas, pedagogos e psicólogos.

O modelo é híbrido, iniciando com contato presencial e seguindo com suporte via WhatsApp, videochamadas e conteúdos personalizados, preservando o contato humano essencial para o acompanhamento.

A cada dois meses, as famílias recebem a Caixa Pipa, um kit com brinquedos, livros e objetos para estimular o desenvolvimento da criança, que também promove momentos de leitura e brincadeiras para reduzir o estresse materno.

Encontros formativos online complementam o trabalho, ampliando o conhecimento sobre desenvolvimento infantil, parentalidade e autocuidado.

Atualmente, o programa está presente em 24 municípios de cinco estados do Nordeste: Pernambuco, Alagoas, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.

Reconhecimento e expansão

O Good Start Challenge é liderado pela Van Leer Foundation e conta com apoio de diversas fundações. De mais de 1000 iniciativas, 22 foram finalistas, recebendo €50 mil para aprimorar seus projetos. No caso do Pipa, o foco foi viabilizar a expansão da metodologia mantendo a qualidade.

Pesquisas realizadas com participantes indicaram que o programa diminui a sensação de isolamento das mães, aumentando sua segurança emocional e compreensão do desenvolvimento infantil, além de fortalecer a confiança para o cuidado.

Depois dessas análises, as Estrelas Guias adotaram uma abordagem mais humana, com apresentação pessoal e vídeos explicativos para as famílias.

Na fase piloto, a taxa de agendamento para atendimentos online atingiu 79%, quase quatro vezes acima da média histórica.

Em parceria com a Prefeitura de Caruaru, assistentes sociais foram treinadas para aplicar a metodologia localmente, com 92% das mães satisfeitas com o acompanhamento, comprovando a viabilidade do programa fora da equipe original.

Ana Maria Drummond, presidente executiva da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, ressalta a importância do trabalho do Instituto Pipa, reconhecendo seu impacto no Brasil e no exterior.

A estratégia para alcançar 1 milhão de famílias até 2035 é descentralizar o programa, integrando-o a estruturas de atendimento municipais e estaduais, e utilizar inteligência artificial para apoiar a gestão sem substituir o contato humano.

O ano de 2024 marca o oitavo aniversário do Pipa e o trabalho na abertura de uma nova sede.

Depoimentos

Gleyce Kelly Maria dos Santos, 29 anos, da Comunidade do Bem, Irmã Dorothy, no Recife, acompanha o programa desde 2023 e acredita que recebeu orientações valiosas sobre o desenvolvimento de sua filha e no cuidado diário, classificando a Estrela Guia como amiga.

Renata Barbosa Rodrigues, 34 anos, de Brasília Teimosa, também no Recife, participa desde abril de 2024 e relata que a Estrela Guia a ajudou inclusive a marcar consultas médicas para seus filhos.

Fabiana da Silva Dias, 47 anos, do bairro de Água Fria, está no programa desde outubro de 2024 e agradece o acompanhamento durante sua gravidez de risco, destacando o suporte emocional e a sensação de não estar sozinha.

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