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Casa Argentina preocupa por conflitos internos em residência universitária francesa
Acusações de expulsões e encontros sigilosos ligados à extrema direita têm gerado inquietação acerca da Casa Argentina, localizada em um renomado campus de residências estudantis em Paris. Essa questão pode até influenciar a agenda da visita do presidente argentino Javier Milei à França.
Com quase cem anos de existência, a Casa Argentina na Cité Internationale Universitaire de Paris, que já foi lar de intelectuais famosos como o autor Julio Cortázar, tornou-se foco de controvérsias após a nomeação do advogado franco-argentino Santiago Muzio como diretor pelo governo Milei em 2024.
Moradores relatam um ambiente de medo e controle próximo a uma ‘mini ditadura’. Uma residente do ano acadêmico 2025/2026 descreveu a situação como um local onde a liberdade de expressão está severamente limitada. Tais declarações foram feitas sob condição de anonimato, por temor de retaliação.
Santiago Muzio, conhecido por sua ligação fervorosa com o catolicismo e diretor da filial madrilenha do Instituto de Ciências Sociais, Econômicas e Políticas (ISSEP) — uma instituição fundada pela eurodeputada de extrema direita Marion Maréchal — tem adotado medidas controversas desde que assumiu a direção.
A prefeitura de Paris solicitou uma investigação oficial ao ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, pedindo que a situação seja tratada junto ao governo argentino. Autoridades da Casa e dos ministérios franceses envolvidos ainda não comentaram o caso.
Fundada em 1925 com o propósito de promover paz mundial, a Cité Internationale Universitaire de Paris reúne anualmente milhares de estudantes, pesquisadores e artistas de diversas nacionalidades. A Casa Argentina, inaugurada em 1928 para aproximadamente 80 moradores, atualmente cobra entre 620 e 1.210 euros mensais pelos alojamentos.
Moradores reclamam de restrições ao acesso a áreas comuns e de um ambiente marcado pela vigilância constante e medo, onde eles muitas vezes se comunicam discretamente para evitar represálias. A recusa de Muzio em assinar a Carta de Valores, que defende os direitos humanos, igualdade de gênero e orientação sexual, causou ainda mais desconforto.
Há relatos de remoção de cartazes em apoio aos direitos LGBTQIA+ e de perseguição política a moradores envolvidos em homenagens a vítimas do terrorismo de estado argentino, o que resultou em expulsões durante períodos habituais de permanência nas férias, causando indignação e acusações de retaliação política.
A influência da Casa Argentina também é percebida como uma extensão de grupos reacionários internacionais. Eventos relacionados a ideias de extrema direita têm sido realizados naquele espaço, gerando preocupações sobre interferência política que poderiam afetar não apenas a França, mas toda a política europeia.
Santiago Muzio defende a liberdade de expressão e justifica os encontros privados como formas legítimas de arrecadação para a Casa, enquanto a fundação responsável pela administração da Cité busca estabelecer normas éticas mais fortes para limitar comportamentos inaceitáveis.
O principal desafio para uma solução reside na estrutura administrativa da Casa, que depende diretamente do ministério argentino, dificultando a implementação de medidas pela Cité Universitaire francesa, que não possui representatividade nessa residência em seu conselho de administração.
Essa problemática contribuiu para que muitas pessoas pedissem ao Conselho de Paris que declare Javier Milei como pessoa indesejada na cidade, embora essa decisão seja de competência exclusiva do governo francês.

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