Brasil
Israel estende prisão de Thiago Ávila e ativista hispano-palestino
Um tribunal israelense decidiu estender até domingo (10) a detenção de dois ativistas que participaram de uma iniciativa para levar ajuda à Faixa de Gaza: o brasileiro Thiago Ávila e o ativista com dupla nacionalidade espanhola e palestina Saif Abu Keshek. Eles foram presos na semana passada nas proximidades da costa grega.
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek compareceram pela segunda vez a uma audiência no tribunal de Ashkelon, localizado a cerca de 60 quilômetros de Tel Aviv. Os ativistas estavam com os pés algemados.
Os dois foram detidos depois de serem capturados a bordo da embarcação Global Sumud, que tinha como objetivo desafiar o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza.
Segundo a advogada Hadeel Abu Salih, representante da organização israelense de direitos humanos Adalah, que atua em defesa dos ativistas, o tribunal autorizou um novo adiamento de seis dias para manter a detenção. Ela também afirmou que essa decisão permite que a polícia continue com ações que considera ilegais, e denunciou que ambos os detidos vêm sofrendo tortura psicológica durante o período na prisão.
Israel os acusa de terem ligações com o grupo islamista palestino Hamas, acusação que as duas pessoas negam veementemente.
Na última audiência, realizada no domingo, uma primeira prorrogação da detenção já havia sido aprovada, estendendo por mais dois dias a prisão temporária.
A organização Adalah, que teve acesso aos ativistas na prisão, denunciou supostos maus-tratos, enquanto as autoridades israelenses rejeitam tais acusações.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, exigiu a libertação imediata dos dois ativistas em uma mensagem publicada na rede social X, destacando o apoio conjunto do Brasil e da Espanha para garantir a segurança e a soltura dos detidos. Ele classificou a postura israelense como injustificável.
A defesa afirmou que o pedido de prorrogação feito pela polícia se baseia na necessidade de mais tempo para conduzir os interrogatórios.
A advogada da defesa entende que essa medida tem a intenção de criminalizar manifestações de apoio ao povo palestino e tentativas de romper o bloqueio à Gaza, considerado ilegal por eles.
Foi impetrado um recurso contra a decisão de estender a detenção, com uma audiência de apelação prevista para ocorrer na quarta-feira, no tribunal de Beersheba, no sul de Israel.
A esposa de Thiago Ávila, Lara Souza, acredita que a manutenção da prisão de seu marido no sistema judicial israelense se baseia apenas em suspeitas infundadas.
Ela relatou que o juiz justificou a permanência da detenção usando “informações sigilosas” que não foram disponibilizadas nem para Thiago nem para sua advogada, o que configura uma clara violação do direito à defesa.
O governo espanhol manifestou sua indignação e classifica a prisão como ilegal e inaceitável. Também salientou, por meio do Ministério das Relações Exteriores, que Israel não apresentou nenhuma evidência que vincule os ativistas ao Hamas, organização que controla a Faixa de Gaza.
A flotilha da qual eles faziam parte inicialmente contava com cerca de 50 embarcações, que tinham o propósito de romper o bloqueio israelense ao território palestino, que sofre severas restrições para o acesso à ajuda humanitária em meio ao conflito.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que os dois ativistas possuem conexões com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), um grupo sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Washington acusa a PCPA de atuar secretamente em nome do Hamas, o grupo islamista palestino que governa Gaza.

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