Mundo
Israel marca mil dias após ataque do Hamas com tensões internas
Israel está lembrando hoje, 2 de junho de 2024, os mil dias desde o ataque do Hamas ocorrido em 7 de outubro de 2023. O país enfrenta divisões internas significativas e o governo liderado por Benjamin Netanyahu continua rejeitando os pedidos para formar uma comissão estatal de investigação sobre o ocorrido.
Uma série de eventos e manifestações está planejada em várias regiões de Israel para marcar a data. A primeira cerimônia iniciou-se às 6h29 (0h29 no horário de Brasília), momento exato em que o movimento palestino Hamas lançou o ataque que desencadeou o conflito na Faixa de Gaza.
O ataque resultou em 1.221 mortos, a maioria civis, conforme levantamento da AFP baseado em dados oficiais israelenses. Além disso, o Hamas levou 251 reféns para Gaza.
Dina Hertz, residente em Jerusalém, expressou: “O que mais me preocupa é que, mesmo após mil dias, ainda estamos presos nessa situação, e as ações necessárias para avançar não foram tomadas.” Ela enfatizou a necessidade de uma verdadeira comissão de investigação para responsabilizar os envolvidos e extrair lições concretas, desejando que os responsáveis pelo comando em 7 de outubro sintam vergonha e dor reais.
A resposta militar israelense em Gaza resultou em mais de 73.000 mortos, predominantemente civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, que são considerados confiáveis pela ONU. Amplas áreas da Faixa de Gaza foram destruídas, incluindo residências, hospitais, escolas e infraestrutura essencial.
Para sobreviver, a maioria dos dois milhões de habitantes teve de se deslocar várias vezes durante os dois anos de conflito, enfrentando uma severa crise humanitária. As forças israelenses ocupam atualmente cerca de 70% do território da Faixa de Gaza, conforme autoridades locais.
Desde que um cessar-fogo foi implementado em 10 de outubro de 2023, pelo menos 1.053 palestinos perderam a vida em Gaza. No mesmo período, o exército de Israel relatou a morte de cinco soldados e de um prestador de serviços.
Comissão de investigação
A Praça dos Reféns em Tel Aviv, que se tornou um símbolo central da campanha pela libertação dos reféns durante o conflito, será renomeada para “Praça da Memória”. À noite, um evento ocorrerá no Parque Yarkon, em Tel Aviv, reunindo familiares das vítimas e líderes do movimento de protesto que questiona a gestão da crise pelas autoridades israelenses.
O “Comitê de Outubro”, grupo formado por famílias das vítimas e reféns do ataque de 7 de outubro, exigiu no X a criação imediata de uma comissão estatal de investigação. Pesquisas indicam que a maioria dos israelenses, independentemente do espectro político, apoia a formação deste órgão para apurar as responsabilidades das autoridades na falha em prevenir o ataque.
Entretanto, o governo de Benjamin Netanyahu tem reiteradamente recusado esta medida, mesmo tendo Israel usado esta ferramenta anteriormente para investigar graves falhas do Estado.
Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército e candidato a substituir Netanyahu nas próximas eleições, lembrou a data com uma mensagem breve no X: “1.000 dias. Provaremos que estamos à altura. Eu prometo.”
Netanyahu, o premiê que mais tempo esteve no cargo na história de Israel, enfrenta críticas severas na mídia local, sendo acusado de reescrever os fatos, incluindo a declaração de que garantiu o retorno de todos os reféns, sem mencionar que 42 deles morreram em Gaza.
Uma pesquisa recente mostrou que a maioria dos israelenses deseja sua saída do governo.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login