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Jordânia destrói mísseis do Irã enquanto EUA e Arábia Saudita atacam grupos no Iraque
Na manhã desta quarta-feira, 29, o Irã lançou diversos mísseis contra forças americanas no Oriente Médio, enquanto os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram ataques contra grupamentos apoiados por Teerã no Iraque, resultando na morte de pelo menos 20 combatentes.
A Guarda Revolucionária do Irã divulgou, através da agência estatal Irna, que lançou mísseis balísticos contra a Base Aérea de Muwaffaq Salti e o quartel-general do Comando Central das Forças Armadas dos EUA na Jordânia.
Por sua vez, o Exército da Jordânia informou que conseguiu interceptar e derrubar cinco mísseis iranianos, sem relatos imediatos de vítimas ou danos.
Logo após, as Forças Armadas dos EUA anunciaram que aviões americanos e sauditas atacaram vários locais de armazenamento e logística de armas no leste do Iraque, em retaliação aos ataques contra a Arábia Saudita.
Nos últimos dias, Riad acusou militantes iraquianos de lançar drones contra suas instalações petrolíferas. Um grupo que reúne diversas milícias iraquianas inicialmente negou essas acusações, enquanto os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, também afirmaram terem atacado instalações de energia sauditas em um conflito relacionado.
O Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou que o país “não busca escalada, mas responderá a qualquer agressão”.
As Forças de Mobilização Popular (PMF), coalizão de grupos majoritariamente xiitas e apoiados pelo Irã, disseram que pelo menos 20 combatentes morreram e 32 ficaram feridos nos ataques durante a madrugada.
As PMF participaram da luta contra o Estado Islâmico desde 2014 e são oficialmente parte do Exército do Iraque, porém mantêm autonomia e já atacaram instalações americanas.
O gabinete do presidente iraquiano, Nizar Amidi, condenou os ataques aéreos dos EUA e da Arábia Saudita, chamando-os de “um ataque inaceitável e violação da soberania do Iraque”, atingindo instituições de segurança oficiais.
A nota afirmou ainda que o Iraque não deve ser usado como base para ataques contra países vizinhos ou para a resolução de disputas regionais e internacionais, pedindo diálogo e redução das tensões.
O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, marcou uma reunião urgente do Conselho de Segurança Nacional para discutir os ataques. Além disso, sua visita à Arábia Saudita, prevista para esta quinta-feira, 30, foi adiada indefinidamente.
Essa escalada, após dias de relativa tranquilidade, aumenta o risco de um conflito mais amplo e evidencia a dificuldade de encerrar um conflito de cinco meses que afetou a economia mundial e é impopular nos EUA. Também pode provocar preocupações sobre o esgotamento dos estoques de munições sofisticadas dos EUA.
Antes desse aumento das tensões, havia otimismo para que os EUA e Irã retomassem negociações, embora um acordo provisório tenha fracassado devido a combates recentes no Estreito de Ormuz, importante corredor marítimo para energia global que foi praticamente fechado por ataques iranianos.
Estas novas tensões fizeram o preço do petróleo subir. O petróleo Brent, referência internacional, aumentou 3,1%, chegando a US$ 84,58 por barril.
Irã rejeita proposta de Omã sobre o Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é um ponto sensível no conflito. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que o país recusou uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o trânsito de navios pelo estreito.
Em entrevista, Gharibabadi disse que Omã sugeriu dividir o estreito em duas rotas, permitindo o trânsito de metade dos navios por cada uma.
O Irã respondeu com uma contraproposta para regular temporariamente o trânsito de embarcações por suas águas territoriais, ressaltando que o estreito não deve voltar ao estado pré-conflito, quando os navios circulavam livremente pela região.

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