Economia
Lei de reciprocidade não justifica perder a razão, afirma Elias Rosa
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 22, que a Lei de Reciprocidade não autoriza o Brasil a perder a razão. Em entrevista à Bandnews, ele destacou a necessidade de cautela para evitar consequências negativas.
“A lei não nos permite perder a razão. No entanto, ninguém perde a razão apenas por ter a lei como base. Quero deixar claro que o instrumento da reciprocidade está disponível para nós”, declarou.
Segundo o ministro, o desafio está em dimensionar corretamente a medida, o que não é uma tarefa simples. “Além disso, a medida não deve causar prejuízos maiores no Brasil do que no país adversário. Eu costumo dizer que, ao aplicar a reciprocidade, é necessário impactar o oponente, não apenas irritá-lo, para manter o controle e o equilíbrio na negociação”, explicou.
Elias Rosa também comentou que o Brasil negociou todos os aspectos da seção 301, que resultou nas tarifas adicionais dos EUA sobre o País, mas ressaltou a dificuldade em convencer quem tem dificuldades para entender a realidade.
Ele acredita que, se as tarifas fossem motivadas apenas por questões econômicas, um acordo já teria sido alcançado, mas elas possuem mais um caráter sancionatório do que regulatório. A saída estaria em diversificar os mercados, algo que o País tem capacidade para fazer.
O ministro expressou pesar pela redução da participação dos Estados Unidos no comércio brasileiro, reconhecendo-os como um parceiro histórico e estrategicamente posicionado, mas observou que a China assumiu essa posição.
“Os EUA são um parceiro comercial de grande relevância e é indesejável e não é bom que não tenhamos um acordo com eles. Não podemos alimentar qualquer desentendimento. Apesar dos conflitos, devemos continuar negociando para reestabelecer o relacionamento”, finalizou.

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