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Líderes iranianos homenageiam antigo líder Ali Khamenei
Líderes do Irã realizam nesta sexta-feira (3) uma homenagem a Ali Khamenei, seu antigo líder supremo, em Teerã. O país se prepara para um funeral nacional, marcado para quatro meses após sua morte em ataques realizados por Israel e Estados Unidos, que provocaram um conflito no Oriente Médio.
As autoridades esperam a presença de 15 a 20 milhões de pessoas apenas na capital para os três dias de homenagens, que começam oficialmente no sábado (4).
O governo iraniano planejou o evento como uma demonstração de sua força após o embate com os Estados Unidos e Israel, que resultou na morte de muitos líderes e milhares de civis, ocorrendo seis meses após protestos contra o governo e o aumento do custo de vida.
O corpo do aiatolá Khamenei, em um caixão coberto pela bandeira do Irã, estará exposto dia e noite até segunda-feira (6) no complexo da Grande Mosalla. As paredes deste local possuem grandes imagens do falecido líder, com bandeiras negras de luto e vermelhas, simbolizando martírio e vingança.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acompanhado por membros do governo, como Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e chefe da equipe de negociação, prestou sua homenagem.
A presença do filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, que assumiu como líder supremo em março, não foi confirmada. Ferido nos ataques que mataram seu pai, ele vem se comunicando apenas por mensagens escritas e não aparece publicamente desde o início da guerra.
Um dos que apareceram em público pela primeira vez após o início do conflito foi Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária, indicado para o cargo logo após a morte do antecessor. Ele colocou a mão sobre o caixão e rezou por alguns minutos, conforme mostrou uma foto divulgada pela agência Fars.
Nos preparativos finais observados pela AFP, trabalhadores suportavam o calor intenso organizando o local. Muitas pessoas de diversas regiões do Irã já formam filas desde a noite de sexta-feira (3), aguardando o início das cerimônias às 6h do sábado.
Um grande parque na capital recebeu mais de 400 barracas do Crescente Vermelho para atender os visitantes.
Moradores locais se preparam para acolher os visitantes. Ezzat Shoaï, professora de 61 anos, afirmou: “Preparamos nossas casas para receber aqueles que vêm de fora. Se Deus quiser, após acolher nossos convidados, nos despediremos juntos de nosso querido líder”.
O Irã aguarda líderes e autoridades de quase 30 países, incluindo o ex-presidente russo Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro do Paquistão, Shebaz Sharif. A China será representada por um alto membro do Parlamento, He Wei. Já Shebaz Sharif e o comandante do Exército, Asim Munir, participaram da homenagem, assim como o ministro das Relações Exteriores do regime Talibã afegão, Amir Khan Muttaqi, acompanhado por sua delegação.
Nenhum líder europeu foi convidado para o evento.
Além do caixão de Khamenei, também estarão expostos os de seus familiares que morreram no mesmo dia, entre eles uma filha, um genro, uma nora e uma neta.
Imagens do líder com o punho erguido, símbolo de resistência contra o Ocidente, estão presentes por todo o recinto.
Inúmeros cartazes e faixas nas ruas de Teerã exaltam o líder como um mártir, dizendo: “Teu nome permanecerá eterno nesta terra”.
Na segunda-feira, um cortejo levará o caixão pelas ruas de Teerã e, na terça-feira, seguirá para a cidade sagrada de Qom.
O funeral de Estado, originalmente planejado para março mas adiado devido à guerra, será o maior já realizado no Irã. Em 1989, após a morte do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, quase 10 milhões de pessoas participaram, com registros de vários acidentes fatais causados pela multidão.
O evento ocorre em meio a uma tensão delicada, com um cessar-fogo instável entre Teerã e Washington.
A capital está fortemente protegida hoje. O aeroporto funciona parcialmente e será fechado completamente na segunda-feira, dia declarado feriado nacional.
Comércios fecharam e várias empresas suspenderam as atividades.
Ali Khamenei será sepultado em 9 de julho na cidade sagrada de Meshed, no nordeste do Irã, onde nasceu. O caixão passará na quarta-feira pelo vizinho Iraque, onde a comunidade xiita também é predominante.

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