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Lula e Flávio buscam apoio musical para ampliar campanhas
A busca por apoios no setor cultural tornou-se uma área importante na corrida presidencial, com as campanhas tentando se conectar com públicos estratégicos para expandir seu alcance. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com o apoio de artistas tradicionalmente alinhados à esquerda e ligados à primeira-dama Rosângela da Silva, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está focado em fortalecer sua relação com o universo da música sertaneja para turbinar sua campanha ao Planalto.
No grupo governista, a primeira-dama Janja atua como ponte com músicos, artistas e produtores culturais próximos ao PT. Ela mantém contatos com nomes da MPB, que participam em eventos e apoiam Lula. Em 2022, participou da releitura de um jingle histórico da campanha petista e colaborou informalmente na coordenação cultural. Janja também tem influência no Ministério da Cultura, com proximidade à ministra Margareth Menezes e ao secretário-executivo Márcio Tavares.
Os aliados esperam que Janja retome esse papel, organizando eventos culturais durante a campanha nas cidades por onde o presidente passar para atividades eleitorais. A agenda oficial deve iniciar em julho.
A campanha de Flávio Bolsonaro volta-se para o segmento sertanejo, que tem forte ligação com eleitores do interior e do agro. O cantor Gusttavo Lima, por exemplo, já declarou apoio a Jair Bolsonaro e mantém proximidade com a família. Em abril, ele apareceu em vídeo com Flávio homenageando Zezé di Camargo, ocasião em que Flávio usava uma camiseta estampada com “o agro é top”.
Recentemente, a campanha organizou um encontro reservado com representantes do sertanejo em Brasília, parte de um esforço para aproximar o candidato de influenciadores fora do circuito político tradicional.
Flávio Bolsonaro tem participado de eventos do setor, como feiras agropecuárias, onde acompanhou shows e interagiu com artistas, enquanto o jingle “Vem com Fé” com temáticas sertanejas é usado em suas redes e eventos.
Assessores do senador acreditam que o apoio artístico pode ajudar a reduzir as resistências de eleitores que ainda conhecem pouco o candidato ou o associam apenas à imagem do pai, ampliando sua penetração via referências mais ligadas à cultura pop. Embora as celebridades raramente transfiram votos diretamente, elas são valiosas para ampliar o alcance e o engajamento nas redes sociais.
Essa movimentação ocorre em um momento em que tanto o presidente quanto o senador tentam ampliar suas bases eleitorais para além de seus públicos habituais, buscando alcançar eleitores independentes.
— Eu sei que o Flávio gosta muito de música sertaneja. Fomos juntos a um evento, a Fenamilho, em Patos de Minas, que tem muitos shows. Como a agenda de pré-candidato é corrida, não conseguimos assistir aos shows, mas ele até montou num cavalo preparado no parque — contou o deputado e pré-candidato ao Senado por Minas Gerais Domingos Sávio (PL).
Do lado de Lula, interlocutores ressaltam que a relação com artistas é sólida e positiva. Também há esforço para se aproximar do segmento sertanejo para diminuir resistências. A campanha explorará conquistas na área da cultura, como a recriação do ministério e investimentos via Lei Paulo Gustavo, e fará um contraponto com o governo anterior, que teve posturas críticas a certos artistas.
A secretária de Cultura do PT, Viviane Martins, destaca a importância de explicar claramente as diferenças entre os governos:
— A mudança nos resultados culturais entre os dois governos é inegável.
Em 2022, a campanha de Lula reviveu o jingle “Sem medo de ser feliz”, originalmente de 1989, com participação de artistas renomados como Chico Buarque e celebridades da televisão, reforçando a tradicional ligação de Lula com o meio cultural.

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