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Menos bloqueios nas estradas da Bolívia, mas falta de alimentos continua

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Os bloqueios que impedem o trânsito nas principais cidades da Bolívia diminuíram nesta segunda-feira (15), mas a falta severa de alimentos, medicamentos e combustível ainda persiste após mais de um mês de protestos contra o presidente Rodrigo Paz, segundo apuração de um jornalista da AFP.

Nas últimas duas semanas, o número de pontos de bloqueio caiu de mais de 100 para cerca de 50, conforme informou a estatal Administradora Boliviana de Rodovias (ABC).

Em La Paz, moradores enfrentaram longas filas de até três quarteirões em frente a um supermercado estatal para comprar carne de frango a preço reduzido.

No entanto, nos mercados privados da capital e da cidade vizinha El Alto, os preços da carne e dos vegetais ainda estão mais que o dobro do habitual.

Nos hospitais, a falta de remédios é evidente, e próximos aos postos de combustível, motoristas permanecem por dias em seus carros aguardando abastecimento.

“Toda a população está sofrendo. O governo não toma providências. Parece que estão esperando o desgaste para que os bloqueios sejam interrompidos”, comentou à AFP Paola Herrera, funcionária de transporte, que esperava por cinco horas na fila para comprar frango. O frango é vendido limitadamente, um por pessoa.

O governo comunicou que, a partir desta segunda, carregamentos diários de frango serão enviados por via aérea de Santa Cruz para La Paz, com auxílio dos Estados Unidos, Chile e Argentina, aliados do governo de Rodrigo Paz, que está no poder há sete meses.

Os manifestantes, formados principalmente por operários, agricultores, mineiros, transportadores e professores, rejeitam as reformas econômicas propostas por Paz e demandam soluções para a pior crise econômica do país em quatro décadas.

A presidência de Rodrigo Paz marcou o fim de 20 anos de governos socialistas, que incluíram Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).

Os grupos mobilizados não aceitam as tentativas do governo de promover o diálogo, e o governo considera a possibilidade de declarar estado de exceção, o que poderia restringir o direito de reunião e circulação, além de permitir a presença militar no controle dos protestos.

O governo acusa os manifestantes que pedem a renúncia de Rodrigo Paz de serem “narcoterroristas”, associando-os ao ex-presidente socialista Evo Morales, atualmente foragido em um processo envolvendo suposta exploração de menores, o qual ele nega.

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