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Por que o surto de Ebola não vai virar pandemia: 5 razões para entender

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Em 30 de janeiro de 2020, dois meses antes da declaração de pandemia pela Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública internacional.

Recentemente, a OMS voltou a declarar emergência internacional devido a um surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e Uganda. No entanto, essa situação não deve evoluir para uma pandemia.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o surto de Ebola não preenche os requisitos para ser considerado uma emergência pandêmica segundo os Regulamentos Sanitários Internacionais.

A OMS avalia o risco do surto como alto em níveis nacional e regional, mas baixo globalmente. Há preocupação com a disseminação rápida localmente, com quase 600 casos suspeitos e 139 mortes até a última quarta-feira.

Entenda por que o surto de Ebola não deve se transformar em pandemia:

  1. Transmissão restrita

    Diferente do coronavírus e influenza, o Ebola não se transmite pelo ar, dificultando sua propagação ampla. O vírus é transmitido via contato direto com sangue, secreções ou fluidos de pessoas infectadas, ou superfícies contaminadas. Isso limita a disseminação de forma significativa.

  2. Gravidade dos sintomas

    Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, explica que só pessoas sintomáticas transmitem o vírus, e devido à gravidade da doença, o paciente dificilmente viaja, facilitando o isolamento rápido.

  3. Medidas eficazes já conhecidas

    Lucille Blumberg, professora da Universidade de Pretoria e chefe do comitê de emergência da OMS, destaca que as recomendações para controlar o surto são as mesmas já aplicadas com sucesso anteriormente: vigilância, quarentena, identificação de contatos e enterros seguros.

    Leonardo Weissmann, infectologista em São Paulo, reforça que a experiência acumulada em surtos anteriores comprova a eficácia das medidas de saúde pública para conter o vírus.

  4. Tratamentos em desenvolvimento

    Embora não haja vacina específica para a variante Bundibugyo do Ebola, a OMS avalia vacinas e tratamentos existentes que podem auxiliar, como a vacina Ervebo, desenvolvida para outra cepa, que pode oferecer alguma proteção.

    Outras vacinas específicas estão em desenvolvimento, mas ainda levarão meses para estarem disponíveis para testes.

  5. Alerta regional e controle local

    André Bon, coordenador de infectologia no Hospital Brasília, afirma que as medidas da OMS são focadas nas áreas afetadas e nos países vizinhos. A disseminação permanece regional, e o controle da doença é prioridade nas regiões atingidas.

Desafios e preocupações atuais

Apesar das expectativas de aumento de casos e mortes nos próximos dias, o surto atual da variante Bundibugyo trouxe desafios pela ausência de vacinas específicas e diagnóstico tardio. O vírus já foi identificado em grandes centros urbanos, apresentou casos entre profissionais da saúde e circula numa região marcada por conflitos e dificuldades de acesso para as equipes de saúde.

Esta é a nona vez que a OMS declara o mais alto nível de alerta e a terceira vez relacionada ao vírus Ebola, demonstrando a gravidade do acompanhamento e as ações em andamento para conter o surto.

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