Mundo
Primeiro-ministro britânico repudia violência ligada à ação policial com estudante ferido
Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, expressou forte reprovação nesta quarta-feira (3) aos atos de violência que ocorreram após protestos contra a polícia relacionados ao caso do estudante Henry Nowak, de 18 anos, que morreu esfaqueado em Southampton, no sul da Inglaterra.
A polêmica se intensificou após a divulgação de um vídeo mostrando Nowak algemado enquanto agonizava, dizendo com voz fraca: “Não consigo respirar”.
As imagens vieram à tona depois que um juiz sentenciou Vickrum Digwa, 23 anos, a uma pena mínima de 21 anos de prisão por assassinar o jovem e por fornecer falso testemunho à polícia, alegando ter sido vítima de insultos raciais.
Nowak foi esfaqueado em 3 de dezembro de 2025, ao retornar de uma festa. Após o veredito e a divulgação do vídeo, protestos foram organizados contra a conduta policial.
Starmer criticou severamente o líder da extrema direita, Nigel Farage, por incitar a população a reagir com “raiva pura e fria” ao caso, qualificando esses apelos como “imperdoáveis”. Para o primeiro-ministro, não há justificativa para transformar a tragédia em motivo de violência ou divisão social.
Na terça-feira (2) à noite, um protesto conduzido por grupos extremistas terminou em confronto em Southampton. Duas pessoas foram detidas, e 11 policiais ficaram feridos. Aproximadamente 100 manifestantes removeram barreiras, arremessaram tijolos, sinalizadores e cadeiras contra os agentes e empurraram uma caçamba em chamas em direção à polícia, que respondeu com jatos d’água e escudos de choque.
Apesar do apelo do pai de Nowak para que a morte não fosse motivo para “mais divisão, ódio ou tensão”, representantes da extrema direita usaram o caso para simbolizar a teoria da “polícia de dois níveis”, que sugere tratamento desigual entre pessoas brancas e minorias.
Farage e o ativista Tommy Robinson defenderam essa ideia, ressaltando a semelhança entre as últimas palavras de Nowak e o caso de George Floyd, homem negro que morreu após abordagem policial nos Estados Unidos em 2020.
O governo trabalhista rejeitou veementemente a existência dessa divisão policial. No Parlamento, Starmer acusou Farage, cujo partido Reform UK está à frente nas pesquisas, de usar a tragédia para incentivar ressentimentos e separar a sociedade.
O empresário Elon Musk também entrou na discussão ao se oferecer para financiar um processo jurídico contra a polícia.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login