Economia
Reação das lideranças locais ao fim da taxa das blusas
A recente decisão do Governo Federal de eliminar o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, conhecida como o fim da “taxa das blusinhas”, provocou uma forte manifestação por parte das lideranças políticas e representantes do Polo de Confecções do Agreste pernambucano.
Autoridades regionais destacam que essa medida aumenta a competição com produtos estrangeiros e pode comprometer empregos e a competitividade da indústria local.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, um dia após o anúncio, a governadora Raquel Lyra informou que iniciou diálogos com representantes do setor, ressaltando a importância de preservar os empregos e a renda gerados pelo Polo de Confecções, cujo impacto econômico e social é significativo para os municípios envolvidos.
“É evidente que o consumidor se beneficia, mas nossa preocupação é garantir a manutenção do emprego e da renda no estado”, afirmou a governadora.
Ela também ressaltou que o Polo do Agreste é o maior produtor de jeans no Brasil e defendeu uma discussão ampliada sobre a competitividade da cadeia produtiva pernambucana diante da crescente presença das plataformas internacionais.
Raquel Lyra afirmou que o Governo de Pernambuco levará as preocupações do setor produtivo ao Governo Federal.
“Ouviremos o setor e apresentaremos ponderações e desafios para manter os empregos, garantindo competitividade frente às importações com menor tributação”, declarou.
Articulações políticas
O deputado estadual Edson Vieira (Podemos), de Santa Cruz do Capibaribe, manifestou sua oposição à decisão, ressaltando que a retirada da taxação não contou com diálogo prévio com o setor produtivo.
“Sou contra essa decisão que aumenta a concorrência de maneira injusta e prejudica quem produz, gera renda e sustenta a economia local”, disse o parlamentar.
Edson Vieira enfatizou que o Polo de Confecções é fundamental para a economia pernambucana e que qualquer alteração deveria ser discutida com empresários, comerciantes e trabalhadores. Ele também informou que solicitou uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco para debater os impactos da decisão.
O prefeito de Toritama, Sérgio Colin (PP), classificou a medida como “absurda” e “retrocesso”, destacando que ela prejudica a indústria nacional, especialmente próxima ao período eleitoral.
“Nosso polo gera muitos empregos e renda para o país. A medida desleal dificultará o crescimento da região e do Brasil”, afirmou.
Sérgio Colin também alertou para o impacto na arrecadação e no emprego caso se avance na discussão sobre a tributação de malhas importadas, questionando o futuro das costureiras e costureiros do polo, que produzem centenas de milhões de peças anualmente.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Santa Cruz do Capibaribe, Ralph Lagos, caracterizou a decisão como um desamparo à confecção nacional em vantajem da produção chinesa.
“A medida elimina a paridade competitiva do Polo frente aos produtos chineses, enquanto o setor mantinha preços equilibrados durante a vigência da taxação”, explicou Ralph Lagos.
Ele qualificou a decisão como motivada por questões eleitorais e indicou que os municípios do Agreste estão organizando uma mobilização nacional para pressionar o Congresso e o Governo Federal a reverter a medida.
“Estamos mobilizando a sociedade civil para barrar essa medida provisória ou convencê-la a ser revista”, afirmou o secretário.
Em Toritama, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Robson Viana, expressou preocupação com a ausência de incentivos para estimular o consumo da indústria nacional.
“Quando é mais vantajoso comprar produtos importados do que nacionais, precisamos refletir sobre as consequências para a economia local. Durante a vigência da taxação, o mercado era competitivo e isso incentivava o comércio nacional”, declarou.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Economia Criativa de Caruaru reforçou em nota que o debate sobre o fim da taxação deve considerar os reflexos para a indústria brasileira.
Conforme destacou o secretário Jaime Anselmo, o Polo de Confecções do Agreste, que abrange mais de 60 cidades, é essencial para a geração de empregos e renda em Pernambuco.
A administração municipal defende uma competição justa, com igualdade tributária entre quem fabrica no Brasil, gera empregos e paga impostos, e os produtos importados, que contam com vantagens competitivas.
Reação do setor produtivo
Bruno Bezerra, membro do Conselho Consultivo da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Santa Cruz do Capibaribe, afirmou que a decisão do Governo Federal favorece as empresas chinesas e dificulta a atuação das confecções brasileiras.
Ele apontou que as empresas nacionais enfrentam alta carga tributária, juros elevados, dificuldades para obter crédito, logística cara e muita burocracia, ao contrário das estrangeiras, que operam em condições mais favoráveis.
A Associação Comercial e Industrial de Toritama emitiu nota destacando que o Polo de Confecções do Agreste representa uma das maiores forças da indústria da moda nacional e que a redução da tributação sobre produtos importados ameaça os pequenos e médios fabricantes brasileiros.
A entidade salientou ainda os elevados custos de produção e a possível alta na tributação de matérias-primas e insumos têxteis importados, defendendo um modelo competitivo equilibrado que proteja a indústria nacional, estimule a industrialização e preserve os empregos do polo.

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