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Economia

Setor de academias no Brasil vive superoferta, diz empresário

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Edgard Gomes Corona, fundador da Smart Fit e presidente do conselho de administração da empresa, afirma que o mercado brasileiro de academias enfrenta atualmente um cenário de “superoferta”, após um período de crescimento acelerado impulsionado pelo aumento dos praticantes de atividades físicas, expansão dos agregadores e entrada de novos operadores.

Segundo Corona, o rápido crescimento recente do setor estimulou a entrada de empresas altamente endividadas. “Muitas empresas entraram no setor com alta alavancagem”, comenta. Operadores com menor robustez financeira podem enfrentar dificuldades em um cenário competitivo ampliado.

O crescimento do mercado também foi impulsionado pela abertura de academias em áreas antes pouco atendidas e pelo maior acesso proporcionado pelos agregadores – plataformas que conectam usuários a diversas redes de estúdios e academias –, que ampliaram público ao oferecer preços mais acessíveis.

Comentando o segmento de agregadores, Corona observa que a entrada do TotalPass evitou a queda do “tíquete dos agregadores”. A concorrência entre plataformas proporcionou uma remuneração melhor às academias parceiras.

Ele destaca que a Smart Fit continua pagando mais às academias parceiras do que os concorrentes, sustentando-se com uma estrutura operacional eficiente e custos operacionais menores.

Apesar do aumento da concorrência no Brasil, Corona acredita que o impacto será neutro para a Smart Fit, graças à diversificação geográfica da rede e ao crescimento da vertical de agregadores. Uma possível piora no mercado pode beneficiar o TotalPass.

Desempenho sólido

O BTG Pactual avaliou o resultado da Smart Fit no primeiro trimestre como forte, ressaltando o crescimento da receita, rentabilidade e avanço do TotalPass na operação da empresa. Os resultados operacionais superaram ligeiramente as expectativas, mesmo considerando investimentos no TotalPass e a abertura rápida de novas academias.

A receita líquida subiu 25% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 2,1 bilhões. O aumento foi impulsionado pela expansão da base de clientes, ampliação da rede e crescimento do tíquete médio. A Smart Fit encerrou o trimestre com 5,6 milhões de clientes nas academias próprias, excluindo o TotalPass, um crescimento de 6% em um ano, enquanto assinantes digitais cresceram 13%. Fora do Brasil e do México, o banco destacou o “momento robusto” das operações na América Latina.

Luiz Guanais, analista do BTG, ressalta a evolução do ecossistema TotalPass, que atingiu 2,1 milhões de clientes no Brasil e México, com mais de 34 mil academias parceiras no mercado brasileiro.

Corona destaca que o TotalPass se tornou uma “alavanca estratégica” para a Smart Fit, ainda que dúvidas persistam no curto prazo sobre margens e tíquetes médios.

Atualmente, o TotalPass representa 15% do lucro bruto consolidado da Smart Fit e 9% da receita líquida da empresa, segundo Corona. A vertical de agregadores está se firmando como uma das principais áreas de crescimento do grupo.

A plataforma ultrapassou 2,1 milhões de clientes B2B ao final do trimestre, representando um crescimento de 25% em relação ao quarto trimestre de 2023. “Continuamos investindo em construção de marca, expansão B2B, aumentando capilaridade e diversidade da rede, além de novos contratos corporativos”, afirma.

No Brasil, o aplicativo alcançou 34% de participação de mercado entre usuários ativos mensais, um aumento de dez pontos percentuais em um ano. Concluiu o trimestre com 56% de participação nos downloads do segmento e liderança pelo terceiro mês consecutivo.

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