Brasil
Tensões diplomáticas do Brasil com EUA e Argentina aumentam
As relações diplomáticas entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os Estados Unidos, liderados por Donald Trump, além do aliado argentino Javier Milei, passaram por uma crise significativa em apenas 24 horas, pouco antes das eleições.
Na terça-feira (4), o governo de Donald Trump cancelou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após já ter imposto, em julho, tarifas sobre produtos brasileiros que Lula classificou como tentativas de interferência política.
Além disso, o Brasil rebaixou sua representação diplomática na Argentina para o nível de encarregado de negócios, após o presidente argentino Milei ter chamado Lula de ‘ladrão’ pela segunda vez em poucos dias.
Milei é aliado de Trump, que tem apoiado candidatos de direita em eleições recentes na América Latina, como em Honduras e Colômbia.
Lula declarou na quarta-feira (5) que nenhuma interferência externa será permitida nas eleições de outubro, criticando a atitude do governo americano como irresponsável e desnecessária.
A revogação do visto não implica expulsão imediata da embaixadora, mas ela não poderá retornar aos Estados Unidos caso deixe o país.
Desde 2025, Lula tem enfrentado medidas econômicas de Trump, como tarifas impostas em retaliação a eventos políticos no Brasil.
Urnas eletrônicas
Em julho, o Brasil negou vistos a dois funcionários dos EUA que teriam a missão de monitorar as urnas eletrônicas brasileiras, após questionamentos do senador Flávio Bolsonaro à confiabilidade do sistema.
O Departamento de Estado dos EUA nega qualquer intenção de interferir nas eleições brasileiras e exige a indicação de um novo embaixador americano no Brasil, argumento usado para a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA.
Conflitos com a Argentina
As tensões também aumentaram com a Argentina, principal parceiro comercial do Brasil.
O Brasil manterá as relações diplomáticas rebaixadas enquanto persistirem ataques às instituições democráticas brasileiras por parte de Milei, conforme declarou uma fonte diplomática.
Após xingamentos do presidente argentino contra Lula, que o chamou de ‘ladrão’ e ‘presidiário’, o Brasil convocou seu embaixador para consultas e não pretende retornar à normalidade das relações no momento.
A chancelaria argentina afirmou que o Brasil solicitou a retirada do embaixador argentino em Brasília, porém uma fonte brasileira indicou que essa decisão cabe à Argentina.
Lula mantém uma relação distante com Milei desde que este assumiu a presidência da Argentina, em 2023, e, apesar da proximidade geográfica e comercial, nunca realizaram uma reunião bilateral.

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