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Testemunhas contestam versão do ICE sobre morte de mexicano em Houston

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Testemunhas do incidente que resultou na morte de um mexicano baleado por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) em Houston afirmaram nesta sexta-feira (10), por meio de seu advogado, que o homem jamais tentou atropelar os agentes, contrariando a narrativa oficial.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou que agentes do ICE tentaram abordar o veículo de Lorenzo Salgado, mas ele “tentou fugir da prisão”.

O departamento também disse que ele “colidiu com um veículo policial do ICE (…) e usou seu veículo como arma para tentar atropelar um agente do ICE, o que levou o agente a disparar em legítima defesa”.

No entanto, o advogado Hugo Balderas-Ibarra, que representa duas das três pessoas detidas durante a ação na qual Lorenzo perdeu a vida, disse que seus clientes apresentaram uma versão diferente dos acontecimentos.

“Eles confirmaram que, em momento algum, havia um agente do ICE diretamente diante do veículo. Também relataram que os tiros vieram dos lados, e não da frente, o que não condiz com a declaração do ICE”, afirmou durante uma coletiva.

Os detidos incluem o irmão de Lorenzo Salgado e dois trabalhadores da construção que estavam com eles.

“Meus clientes sofrerão para sempre as marcas físicas e emocionais deste assassinato. Essas famílias jamais serão completas novamente. Um homem perdeu seu irmão. Os outros dois perderam um amigo muito querido”, acrescentou o advogado.

A deputada democrata do Texas, Sylvia García, cuja jurisdição abrange onde os fatos aconteceram, comentou que falou com o diretor interino do ICE, David Venturella.

“Ele confirmou que Lorenzo Salgado não era o alvo da operação, nem seu irmão, que estava como passageiro no veículo. O diretor explicou que o ICE procurava uma pessoa com ordem definitiva de deportação que, segundo os agentes, tinha entrado na caminhonete”, relatou Sylvia.

Venturella afirmou que não sabia o nome do procurado e que não podia identificar claramente qual passageiro era o alvo da ação”, adicionou a deputada.

Balderas também comentou que Lorenzo Salgado não tinha antecedentes criminais, morava nos EUA há mais de 35 anos, era empresário e tinha filhos norte-americanos. Seu único “crime” era parecer com outro homem procurado.

O caso de Lorenzo é o primeiro tiroteio fatal envolvendo agentes federais desde que, em janeiro, os americanos Renee Good e Alex Pretti foram mortos em Minneapolis durante protestos contra as operações do ICE, num contexto de reforço das ações do governo do presidente Donald Trump contra a imigração.

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