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Trump adota sistema de aposentadoria australiano: entenda o modelo
O plano de aposentadoria considerado um dos mais admirados globalmente ganhou mais um entusiasta: o presidente Donald Trump, que declarou estar inspirado pelos fundos de pensão privados australianos para reformar o sistema previdenciário dos Estados Unidos.
Trump tem elogiado frequentemente o esquema de aposentadoria financiado pelos empregadores e gerido pelo setor privado. Recentemente, ele instruiu o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário do Comércio, Howard Lutnick, a estudarem esse modelo para ampliar o sistema americano.
“Na Austrália existe um plano muito apreciado pelas pessoas, que tem mostrado bons resultados”, afirmou Trump ao encontrar Larry Fink, CEO da BlackRock e defensor do modelo australiano. “Vamos dialogar com o Congresso para tentar implementá-lo”, acrescentou.
Gestores de ativos frequentemente observam com admiração o rápido crescimento do sistema australiano, que movimenta cerca de US$ 3,1 trilhões. Nos anos 1990, a Austrália aprovou uma lei que obriga os empregadores a contribuir para planos de pensão privados dos trabalhadores.
Atualmente, a contribuição é de 12% do salário, incluindo trabalhadores de tempo parcial, e o sistema caminha para ser o segundo maior do mundo na próxima década.
Enquanto isso, os EUA enfrentam uma crise previdenciária, esperando que o fundo da Previdência Social esgote seus recursos até 2032, o que pode acarretar cortes nos benefícios. Muitos trabalhadores americanos não conseguem poupar o suficiente para a aposentadoria.
Em uma carta para investidores em 2024, Fink abordou os problemas americanos e destacou o sucesso australiano, recomendando maior ação dos legisladores dos EUA. O modelo australiano amplia a cobertura, inclusive para trabalhadores parciais, e transfere a responsabilidade da gestão para o setor privado.
Especialistas alertam que o modelo australiano não é uma solução simples para os EUA, pois ainda há o desafio de administrar os benefícios já prometidos, financiados principalmente por impostos sobre salários.
Há sugestões de criar um fundo soberano para cobrir déficits da Previdência Social, mas isso implica sérias consequências econômicas, segundo Gopi Shah Goda, diretor do Projeto de Segurança da Aposentadoria da Brookings Institution. Além disso, a contribuição obrigatória por parte dos empregadores pode gerar resistência, já que muitas empresas afirmam que isso diminui recursos para aumentos salariais.
Alicia Munnell, consultora sênior do Centro de Pesquisa sobre Aposentadoria do Boston College, destacou que tanto australianos quanto americanos enfrentam dificuldades em garantir renda suficiente para a aposentadoria.
Embora Trump valorize o sistema australiano, é cedo para afirmar que o modelo americano será uma cópia exata, pois há intenção de aprimorá-lo.
Como é o sistema de aposentadoria na Austrália?
O sistema combina um plano individual obrigatório, financiado pelo empregador, e uma rede de proteção social governamental.
O componente principal, chamado Superannuation, funciona como uma poupança obrigatória onde o empregador deve depositar uma porcentagem do salário do empregado em um fundo de pensão.
A taxa paga pelo empregador é 12% do salário, e o empregado escolhe a instituição financeira para gerir seu dinheiro.
Os fundos ficam bloqueados até a aposentadoria, cerca de 67 anos. Há incentivos fiscais para depósitos adicionais, que podem ser retirados a partir dos 60 anos.
Além disso, existe um modelo estatal que concede pensão pública a pessoas vulneráveis que não possuem saldo suficiente, financiada pelo governo via impostos.
Não há exigência de tempo de contribuição, mas a idade mínima para aposentadoria é 67 anos, com previsão de aumentar para 70 até 2035.

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