Brasil
Oncoclínicas busca acordo para dívida bilionária
A Oncoclínicas firmou um acordo para iniciar um processo de recuperação extrajudicial. Enfrentando dificuldades financeiras há vários meses, a rede especializada em tratamento de câncer tenta reorganizar uma dívida que alcança R$ 5,1 bilhões. A expectativa era iniciar esse processo na semana anterior, porém, questões burocráticas atrasaram a operação.
Em junho, terminou o período de 60 dias de proteção contra credores concedido pela Justiça em abril.
A proteção contra a cobrança das dívidas ocorreu poucos dias após a divulgação do balanço financeiro de 2025, quando a empresa registrou prejuízo de R$ 3,67 bilhões.
Os dados também revelaram que a Oncoclínicas encerrou o ano com sua dívida acima das condições contratuais acordadas com os credores, que estipulavam uma alavancagem máxima de 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Esse índice indica o grau de dependência de financiamento por meio de dívidas: quanto maior, maior o risco financeiro. No caso da Oncoclínicas, a alavancagem chegou a 4,3 vezes.
Impacto no tratamento dos pacientes
Um dos efeitos mais delicados da crise foi a suspensão de atendimentos e sessões de tratamentos como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia para pacientes com câncer conveniados a planos de saúde que utilizam a rede, devido à falta de medicamentos. Para tentar normalizar os serviços, a empresa chegou a promover um mutirão emergencial.
Durante o auge da crise, uma possível solução estudada foi a criação de uma empresa conjunta com a Porto Seguro e o grupo Fleury, especializado em medicina diagnóstica. No entanto, a negociação foi interrompida no momento em que a Oncoclínicas solicitou proteção judicial contra os credores.
Conflito em torno da oferta pública de ações
Ao mesmo tempo, acionistas minoritários exigem uma oferta pública de aquisição (OPA) na ordem de R$ 6 bilhões, buscando obrigar a gestora americana Centaurus a pagar aos investidores um valor superior a R$ 16 por ação. Atualmente, as ações valem cerca de R$ 0,77 na Bolsa.
Essa controvérsia surgiu após a reorganização da participação do Goldman Sachs na Oncoclínicas, concluída em novembro de 2024. O fundo Centaurus passou a deter mais de 15% da empresa, o que, de acordo com o estatuto, é um dos fatores que desencadeiam a realização da OPA.
Conforme apurado pela coluna Capital, os técnicos da Comissão de Valores Mobiliários manifestaram-se contra a OPA, mas a decisão ficará a cargo do colegiado do órgão regulamentador.

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