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Vida oculta dos militares ucranianos que atacam Moscou com drones

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Com mensagens criptografadas e pagamentos em dinheiro vivo, os militares ucranianos que realizam ataques com drones em Moscou levam uma existência reservada, mantendo segredo até mesmo de suas próprias famílias.

Denys, nome fictício, participa dessas operações à distância desde 2025. Nem seus amigos nem seus pais têm conhecimento disso, pois as normas de segurança em sua unidade são extremamente rígidas.

“Não chame atenção, não se vanglorie. Você nunca poderá contar seus feitos, nem mesmo após o término da guerra”, resume à AFP o militar, aproximadamente com 30 anos.

Este ex-fuzileiro naval atua no Centro Nº 1 das forças ucranianas de drones, responsável por ataques impactantes contra a Rússia, incluindo ações em junho contra Moscou e São Petersburgo.

Mais de quatro anos após o início do conflito, Kiev intensificou os ataques de longo alcance contra refinarias e depósitos de petróleo russos, buscando reduzir as receitas que financiam o esforço bélico.

Esses ataques causam incêndios de grandes proporções visíveis a quilômetros, embora o efeito real sobre a produção russa ainda seja difícil de quantificar.

“Somos um alvo muito valioso e prioritário para o inimigo”, afirma Denys.

Os nomes e idades desses militares são mantidos em sigilo. Fotografá-los ou filmá-los sem que usem proteção no rosto é impossível.

Em maio, jornalistas da AFP tiveram acesso extraordinário a uma base de lançamento de drones de longa distância, obedecendo protocolos rigorosos de segurança.

“Máxima discrição” é fundamental.

“Entendemos o custo que isso pode ter para nossos familiares e para nós mesmos”, declara outro membro do Centro Nº 1, conhecido pela alcunha de Voron (“Corvo”), que é casado e pai.

Por isso, há uma escolha consciente de manter-se nas sombras, acrescenta esse homem de cabelo longo, que antes da guerra trabalhou como pintor e treinador de artes marciais.

Ele e seus companheiros evitam qualquer vínculo com os “ataques profundos” em solo russo, frequentemente elogiados nas redes sociais. “Todos os meus familiares e amigos acreditam que ainda atuo nas forças especiais”, explica.

A segurança das comunicações é essencial. Os telefones pessoais ficam sempre no modo avião e só funcionam via roteadores portáteis levados pelos soldados.

“No dia a dia, você não nos identificaria (…) nossa descrição máxima é passar por pessoas comuns”, explica um integrante dos serviços de inteligência militar ucranianos (GUR), conhecido como Wolf.

“As pessoas imaginam-nos como comandos uniformizados, mas na verdade andamos trajando camiseta e jeans”, diz Voron.

O uso de cartões bancários ou dispositivos com geolocalização é proibido. Em caso de suspeita, os militares são submetidos a testes com detectores de mentiras para evitar vazamentos de informações.

Atualmente, segundo Denys, há muitos drones disponíveis, mas o tempo para lançá-los é escasso. Ele sonha com a completa derrota da Rússia.

Para ele, os ataques de longo alcance são como “o gelo que começa a ceder sob os pés” dos russos. “Estamos fazendo tudo para que esse gelo se quebre.”

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