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Violência do narcotráfico destrói vila no México

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O silêncio em uma comunidade indígena no México foi abruptamente quebrado pelo latido dos cães. Narcotraficantes chegaram de surpresa, dispararam contra os moradores, bombardearam casas com drones e expulsaram os habitantes.

Tula ficou completamente destruída, com seus animais vivendo em fome. Esta pequena vila, situada nas montanhas do estado de Guerrero, é pobre, apesar de sua proximidade com a famosa estância balneária de Acapulco.

O ataque foi atribuído ao grupo criminoso Los Ardillos, conhecido por suas atividades como narcotráfico, extorsão e sequestro em Guerrero.

Ao menos três pessoas foram mortas, conforme informações das autodefesas indígenas locais, embora não haja um registro oficial.

Os danos foram visíveis: o teto de zinco de uma casa desabou devido às explosões; um colchão queimado e um ventilador destruído permanecem no local, com vidros quebrados espalhados pelas ruas de terra.

María Cabrera, uma artesã de 74 anos que cobre o rosto para conter as lágrimas, lamenta a perda de tudo no incêndio. María Cabrera expressa sua tristeza dizendo: “Tudo virou cinzas, por isso fico tão desolada. Queimaram meu trabalho como se eu não tivesse mais capacidade de produzir, e agora ando pelas ruas como um cão sem dono”.

Após o ataque, cerca de cem pessoas, incluindo María Cabrera, foram deslocadas para a comunidade de Alcozacán, a 15 minutos de carro de Tula. Lá, elas aguardam para receber ajuda, como leite, farinha para tortilhas, enlatados e papel higiênico. A maioria dos deslocados são mulheres vestindo mantos tradicionais indígenas, ricos em bordados coloridos.

Embora agentes da Guarda Nacional estejam presentes, a população acredita que sua atuação não tem sido eficaz para conter a violência, já que não houve prisões nem destruição dos laboratórios de drogas.

O objetivo do governo, segundo a presidente Claudia Sheinbaum, é pacificar a região por meio do diálogo.

Uma casa foi transformada em uma capela improvisada para velar os mortos, membros das autodefesas do Conselho Indígena Popular de Guerrero (CIPOG-EZ), que conta com cerca de 60 integrantes armados na região. Sixto Mendoza, do CIPOG-EZ, destaca que esses homens enfrentaram os Los Ardillos e lutaram bravamente para proteger a comunidade.

Uma procissão liderada por mulheres carrega incenso e flores até o cemitério, situado no ponto mais alto da montanha, onde pequenos mausoléus coloridos estão presentes. Uma banda regional toca música tradicional quebrando o silêncio da tarde.

Entre as oferendas estão botas táticas, calças e camisetas do CIPOG-EZ, homenageando as vítimas. A companheira de uma das vítimas, uma jovem de 16 anos que preferiu manter-se anônima, se declara profundamente abatida: “Mal começamos a viver juntos, e eu não tive muito tempo com ele”. Ela também perdeu seu tio.

Em Tula, uma cabra ferida vaga pelas ruas desertas, entre escombros e casas parcialmente destruídas. Ainda é possível ver fumaça no local.

Prisco Rodríguez, integrante do CIPOG-EZ, inspeciona a área e confirma que a vila está deserta. Ele explica que o objetivo dos criminosos é subjugar quem restar e eliminar os que resistirem, cobrando inclusive propinas até para sobreviver.

David Saucedo, especialista em segurança pública, acrescenta que os Los Ardillos não pretendem se estabelecer em Tula, mas sim eliminar as comunidades que apoiam o CIPOG-EZ, impedindo que tenham onde se esconder, receber suprimentos ou descansar.

María Cabrera entendeu a mensagem clara dos criminosos e afirmou com tristeza que não retornará jamais à sua casa.

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