Brasil
STJ condena ex-governador do Acre a 25 anos de prisão e torna-o inelegível por corrupção
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou nesta quarta-feira (6) a pena de 25 anos e 9 meses de detenção para o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), por crimes incluindo dispensa irregular de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Gladson renunciou em abril para disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro e está impedido de concorrer por oito anos.
O jornal solicitou um posicionamento de Gladson acerca da sentença; o espaço permanece aberto. Em momentos anteriores, quando investigado pela Polícia Federal e posteriormente denunciado pela Procuradoria-Geral da República, o ex-governador sempre negou envolvimento em atividades ilegais durante sua administração.
Embora o julgamento da sentença ainda não tenha transitado em julgado, conforme a Lei da Ficha Limpa, Gladson já está inelegível, pois a condenação foi por decisão colegiada. Essa restrição só poderá ser suspensa se houver concessão de liminar na Justiça Eleitoral, permitindo que ele participe das eleições de outubro sub judice até a conclusão de todos os recursos possíveis.
O julgamento terminou com oito votos favoráveis à condenação e três votos acompanhando a dosimetria mais branda de 16 anos proposta pelo revisor, João Otávio de Noronha. A relatora, Nancy Andrighi, integrou o grupo da condenação mais severa.
As investigações que fundamentaram o processo são parte da Operação Ptolomeu, que apura supostas práticas de corrupção envolvendo o governador com suspeita de desvio de aproximadamente R$ 16 milhões.
A denúncia focaliza um contrato firmado em maio de 2019 pela Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Estado do Acre com a empresa Murano Construções para manutenção predial no primeiro mandato do governador. A empresa Murano firmou, um dia após a assinatura, uma sociedade com a Rio Negro, empresa dirigida por Gledson Cameli, irmão do governador, que recebeu cerca de R$ 2 milhões.
Para os investigadores, há evidências claras de uma negociação para contratação indireta da companhia do irmão do governador, visando ocultar a participação deste e evitar a atenção dos órgãos de fiscalização e controle.
Um dos principais indícios de corrupção, segundo a Procuradoria-Geral da República, é a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 6 milhões, localizado na região dos Jardins, São Paulo, que teria sido utilizado como forma de pagamento de propina.
A Polícia Federal apurou que o imóvel foi comprado pela empresa do irmão do governador após receber transferências de outra empresa, que por sua vez, recebeu valores da Murano Construções, que detém contratos superiores a R$ 30 milhões com o Governo do Acre.

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