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Trump vê possível acordo de paz com Irã, mas alerta para riscos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (6) que um acordo de paz com o Irã é bastante provável, embora tenha mantido advertências sobre a possibilidade de retomar bombardeios caso não haja acordo. Enquanto isso, o principal negociador iraniano acusa Washington de tentar forçar a rendição do Irã.
Donald Trump disse que conversas recentes foram promissoras e que um acordo pode ser alcançado em breve. Ele mencionou que, caso o Irã cumpra o que foi acertado, a chamada ‘Fúria Épica’ dos Estados Unidos chegará ao fim. No entanto, alertou que, na ausência de um acordo, os ataques dos EUA e de Israel podem ser retomados com mais intensidade.
O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf acusa os EUA de tentar submeter o Irã por meio de bloqueios navais, pressões econômicas e manipulação da mídia, visando desestabilizar o país. Apesar disso, o Irã continua analisando as propostas americanas, demonstrando abertura para negociações.
Nos mercados financeiros, as notícias de uma possível paz animaram investidores: Wall Street registrou um aumento de cerca de 2%, acompanhando a alta das bolsas europeias. O preço do barril de petróleo Brent caiu para 101,27 dólares, após ter alcançado recentemente seu pico de 126 dólares.
Donald Trump havia anunciado uma suspensão temporária de uma operação militar para escoltar navios comerciais no estreito de Ormuz, esperando que essa pausa contribuísse para a finalização do acordo. O estreito é uma passagem estratégica que permanece bloqueada pelo Irã desde o início do conflito, que já causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.
Enquanto isso, os Estados Unidos mantêm o bloqueio aos portos iranianos, e um petroleiro iraniano tentou romper essa barreira, sendo neutralizado por um disparo que atingiu seu leme. Além disso, o porta-aviões francês Charles de Gaulle será posicionado na região do Golfo, enquanto a coalizão liderada pelo Reino Unido e França se prepara para garantir a segurança do estreito após a possível assinatura do acordo.
Um porta-contêiner francês conseguiu deixar o Golfo, sinalizando uma possível melhora na situação comercial da região.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, expressou esperança de que as atuais negociações levem a um acordo duradouro. Contudo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou que seu país está preparado para todos os cenários e que as forças armadas israelenses estão prontas para lançar uma operação vigorosa se necessário.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, após visita à China, destacou a importância da cooperação com Pequim para estabelecer uma nova era de estabilidade regional pós-conflito. Seu homólogo chinês, Wang Yi, pediu cessar-fogo completo e instou EUA e Irã a reabrirem rapidamente o estreito de Ormuz.
Entre a população iraniana, o cansaço é palpável. Uma tradutora em Teerã, Azadeh, mencionou as dificuldades enfrentadas e a pressão psicológica intensa vivida no atual cenário político.
Nos últimos dias, confrontos marítimos entre forças iranianas e americanas aumentaram, acompanhados de ataques atribuídos ao Irã contra os Emirados Árabes Unidos. No Líbano, na área sul de Beirute, um comandante do Hezbollah pró-iraniano foi morto por bombardeio israelense, o primeiro desde um cessar-fogo firmado em 17 de abril. Além disso, bombardeios em outras regiões do Líbano causaram vítimas fatais, indicando que o conflito entre Israel e Hezbollah segue ativo, apesar da trégua vigente.

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