Notícias Recentes
Novo relatório aponta que JK foi morto, não vítima de acidente
O ex-presidente Juscelino Kubitschek faleceu em 1976, segundo um novo laudo da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que contradiz a versão oficial de que o ex-presidente sofreu um acidente de carro.
Divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo GLOBO, a análise foi realizada pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na CEMDP, e agora será revisada pelos demais membros da comissão.
O colegiado informou em comunicado que, devido à grande quantidade de documentos e para garantir que as famílias dos envolvidos possam acessar as informações, a votação do relatório ocorrerá apenas após o contato com os familiares.
O relatório fundamenta-se em dados já públicos, como os obtidos no Inquérito do Ministério Público Federal número 1.30.008.000307/2013-79, e outros documentos produzidos durante o trabalho da CEMDP serão divulgados ao final da análise.
Apesar de uma reunião estar marcada para 24 de abril em São Paulo, ela foi adiada para permitir uma análise mais detalhada do extenso relatório, que possui mais de 5 mil páginas.
A CEMDP, criada por lei durante o governo de Fernando Henrique Cardoso em 1995 e com apoio do Ministério dos Direitos Humanos, tem como missão identificar pessoas mortas ou desaparecidas por razões políticas entre 1961 e 1988, localizar corpos e emitir pareceres para familiares.
Juscelino Kubitschek morreu durante a ditadura militar, na Rodovia Presidente Dutra, embora existam diferentes interpretações sobre o acidente envolvendo seu carro e seu motorista, Geraldo Ribeiro.
O regime militar declarou o fato como acidente provocado por um ônibus que teria atingido o carro em uma tentativa de ultrapassagem. No entanto, comissões da Verdade em São Paulo, Minas Gerais e São Paulo municipal defendem que houve um atentado político.
Esses grupos apresentaram indícios de que não houve colisão com o ônibus e que o veículo teria perdido o controle devido a interferência externa, como sabotagem mecânica, disparo de arma de fogo ou possível envenenamento do motorista.
Em 2023, o governo de Lula decidiu reabrir o caso, com base no laudo do engenheiro perito Sergio Ejzenberg, contratado pelo Ministério Público Federal, concluído em 2019, que descarta a possibilidade de colisão com o ônibus antes do choque contra uma carreta. Esse laudo é um dos principais fundamentos do relatório da relatora Maria Cecília Adão.
A CEMDP reafirma seu compromisso de manter um diálogo constante com as famílias das vítimas de violência estatal, que desempenham papel central na busca por memória, verdade e justiça.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login