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Cuba luta para recuperar energia após apagão, mas crise continua
Cuba enfrenta um retorno gradual do fornecimento de energia na região leste do país depois de um grande apagão na quinta-feira (14), resultado do bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos. No entanto, a situação ainda permanece grave, pois o país não possui reservas de diesel ou óleo combustível.
Nos últimos dias, o sistema elétrico cubano, que serve uma população de 9,6 milhões, tem apresentado falhas prolongadas e um nível muito baixo de geração de energia.
As reservas do combustível fornecido pela Rússia em março — a única remessa autorizada pelos Estados Unidos desde janeiro — já foram completamente usadas, afirmou o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, em entrevista à televisão estatal na quarta-feira.
O ministro destacou que a ilha não tem nenhuma reserva de óleo combustível nem de diesel.
Na manhã de quinta-feira, sete das quinze províncias do país sofreram o desligamento da rede elétrica. Por volta do meio-dia, três províncias do extremo leste permaneciam sem energia, conforme informado pelas autoridades.
Além disso, a maior usina termelétrica do país, Antonio Guiteras, saiu do ar na quinta-feira devido a avarias, segundo a companhia elétrica estatal UNE.
Em Havana, a crise piorou nas últimas semanas, com apagões que ultrapassam 20 horas diárias em algumas áreas, enquanto em outras províncias os cortes duram o dia inteiro.
Na tarde de quarta-feira, moradores de vários bairros da capital protestaram batendo panelas contra os apagões prolongados, conforme relatos coletados pela AFP.
Moradores do bairro Playa, a oeste da capital, clamavam: “Liguem as luzes!”
Desde a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado próximo de Havana, pelas forças americanas em janeiro, os Estados Unidos intensificaram a pressão contra Cuba, que já sofre sanções rigorosas desde 1962.
Cuba atribui ao governo americano a responsabilidade pela situação delicada da rede elétrica, que enfrenta longos períodos sem energia devido à falta de combustível.
Desde o fim de janeiro, somente um navio com 100.000 toneladas de petróleo, vindo da Rússia, teve permissão para atracar em Cuba, o que aliviou parcialmente a crise durante abril.
Resposta Cubana
Em comunicado na quinta-feira, Cuba disse que pode aceitar uma assistência financeira de 100 milhões de dólares, oferecida pelos Estados Unidos, com a condição de que os recursos sejam geridos pela Igreja Católica.
“Estamos abertos a ouvir os detalhes da proposta e como ela seria implementada”, declarou o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, através da rede X.
Porém, ele também criticou a “contradição” da suposta generosidade dos EUA, afirmando que o governo americano mantém o povo cubano sob um castigo coletivo por meio da guerra econômica.
Washington, por sua vez, atribui a crise à má gestão econômica interna em Cuba.
“A economia está quebrada e desorganizada, e não há perspectivas de mudança. Gostaria que fosse diferente”, disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em entrevista à Fox News durante uma viagem oficial.
Em janeiro, o então presidente Trump declarou Cuba uma “ameaça excepcional” e ameaçou punir quaisquer países que vendam petróleo à ilha, situada a cerca de 150 km da Flórida.
Nos últimos tempos, as tensões entre Washington e Havana aumentaram, embora os dois governos continuem em diálogo. Em 10 de abril, houve uma reunião de alto nível diplomático na capital cubana.

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