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Pressão dos EUA gera cooperação no México e tensão na Colômbia
Antes do Brasil, diversas nações do continente encararam a decisão do governo do presidente americano Donald Trump de classificar organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas como grupos terroristas.
A lista inclui Venezuela, Colômbia, Equador, Haiti e El Salvador, além do México, que compartilha fronteira com os Estados Unidos e é foco central de interesse norte-americano.
No Brasil, o governo Lula estava preocupado com a possibilidade de designar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como terroristas, vendo isso como uma ameaça à soberania nacional.
Especialistas apontam que a postura do Brasil nos últimos meses foi semelhante à da maioria dos países na lista, com exceções notáveis nos governos de Nayib Bukele, de El Salvador, e Daniel Noboa, do Equador, ambos aliados a Trump.
Em fevereiro de 2025, seis cartéis mexicanos passaram a ser classificados como terroristas. Na ocasião, a presidente mexicana Cláudia Sheinbaum declarou que o país rejeitava intervenções estrangeiras e defendia uma cooperação entre as nações.
O cientista político Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV, ressalta que a presidente mexicana tem tomado medidas para a segurança nacional em colaboração com os EUA, o que fez com que a pressão americana diminuísse.
Entre os exemplos dessa colaboração está a operação militar que resultou na morte do narcotraficante El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación, em que os EUA apoiaram com troca de informações.
O especialista em Segurança Pública Roberto Uchôa destaca, porém, que a cooperação entre México e EUA não é recente, mencionando o caso de dois americanos que morreram em um acidente de carro sob suspeita de ligação com a CIA, incidente que gerou tensão no governo mexicano.
Outro impacto da classificação dos cartéis como terroristas no México foi a imposição de sanções a três bancos em junho de 2025, acusados de lavagem de dinheiro do tráfico de fentanil, incluindo o CIBanco, atualmente em processo de liquidação.
Na Colômbia, país com histórico de cooperação com os EUA, a situação mudou após a designação do Clan del Golfo como grupo terrorista em dezembro, agravando as tensões, principalmente após sanções aplicadas ao presidente Gustavo Petro.
Uchôa explica que a ajuda americana diminuiu significativamente depois do indiciamento do presidente e que, anteriormente, os EUA já haviam suspenso a certificação da Colômbia como aliada no combate às drogas, o que cortou US$ 380 milhões anuais em assistência.
Mais recentemente, a relação entre Colômbia e EUA suavizou, com o anúncio, em janeiro, de ações conjuntas contra grupos guerrilheiros.
Intervenção na Venezuela
A Venezuela foi o país em que a atuação dos EUA teve uma intervenção concreta, com a captura do ex-presidente Nicolás Maduro no início do ano, motivada por alegações de envolvimento com o narcotráfico ligado ao suposto Cartel de los Soles, um grupo considerado terrorista.
Contudo, o Departamento de Justiça americano retirou a confirmação da existência desse grupo em janeiro, sendo que especialistas entendem que o termo é uma gíria para corrupção nas forças armadas do país. Outro grupo terrorista reconhecido é o Tren de Aragua, cujos membros também foram alvo de sanções.
Antes da captura de Maduro, autoridades americanas atacaram embarcações que alegavam ser usadas por narcotraficantes venezuelanos, o que alimentou o discurso do ex-presidente sobre uma suposta justificativa para intervenção dos EUA na Venezuela.
O professor de Relações Internacionais Roberto Uebel comenta que esse contexto foi usado para fundamentar a interferência americana no país.


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