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Advogados estudam medicina para discutir morte de Henry Borel

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Durante o julgamento no II Tribunal do Júri do Rio, uma intensa disputa tomou conta das sessões: a análise dos laudos médicos relacionados à morte de Henry Borel. Advogados tanto da acusação quanto da defesa tiveram que se aprofundar em conhecimentos de medicina legal, anatomia e protocolos hospitalares para fundamentar suas argumentações.

Um dos principais advogados de Jairinho, Zanone Junior, resumiu o esforço da defesa ao afirmar que precisaram estudar medicina para atuarem no tribunal.

Essa declaração reflete o direcionamento que o julgamento tomou. Além de debater as versões dos fatos ocorridos no apartamento onde Henry morava com a mãe e o então padrasto, ambas as partes travam uma batalha técnica que envolve hemorragias, lesões internas, técnicas de reanimação cardiopulmonar, edema cerebral, temperatura corporal e procedimentos de necropsia.

O maior ponto de divergência está na causa das lesões que causaram a morte da criança. Enquanto o Ministério Público e a acusação afirmam que Henry foi vítima de agressões, a defesa de Jairinho argumenta que alguns ferimentos podem ter ocorrido durante as tentativas de reanimação no Hospital Barra D’Or.

Essa estratégia foi clara nos depoimentos do perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes e do médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva. Os advogados discutiram conceitos técnicos habitualmente restritos a profissionais da medicina.

Zanone mencionou que a equipe da defesa estudou com afinco exames, laudos e literatura especializada para apontar lacunas nos documentos apresentados.

Ele questionou detalhes como a variação da temperatura corporal de Henry durante o atendimento.

A defesa busca mostrar aos jurados inconsistências nos registros hospitalares e periciais, destacando a falta de fotografias específicas da necropsia e informações referentes à laceração hepática.

Por sua vez, os peritos do Ministério Público reforçaram que as lesões identificadas não são compatíveis com manobras de reanimação ou acidentes domésticos.

Luiz Carlos Leal Prestes classificou a hipótese de acidente doméstico como impossível e defendeu que uma massagem cardíaca realizada corretamente não poderia causar os ferimentos graves no fígado encontrados em Henry.

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