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EUA pode retomar conflito com Irã se negociações falharem

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Os Estados Unidos confirmaram neste sábado (30) que possuem capacidade para recomeçar o conflito com o Irã, ressaltando que qualquer acordo de paz depende do respeito às suas “linhas vermelhas”.

Teerã e Washington têm mantido negociações indiretas por semanas, visando um fim duradouro ao conflito no Oriente Médio, porém sem resolução clara, especialmente após os confrontos recentes, os mais intensos desde o início da trégua em 8 de abril.

Fontes em Washington indicaram uma possível prorrogação do cessar-fogo por mais 60 dias, mas as conversas permanecem dificultadas.

“O Irã precisa aceitar que nunca terá armas nucleares”, declarou na sexta-feira o presidente Donald Trump em sua rede social Truth Social, acrescentando que o urânio altamente enriquecido do Irã deve ser “DESTRUÍDO”.

Estados Unidos e Israel, que realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro, atribuem ao país a intenção de obter armamento atômico, o que este nega.

O Irã quer que a questão nuclear seja tratada após o acordo em discussão.

Abertura imediata do Estreito de Ormuz

Outro ponto crítico é o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de hidrocarbonetos, mantido pelo Irã desde o inicio do conflito.

“Deve ser aberto imediatamente”, afirmou Trump, enquanto os Estados Unidos bloqueiam os portos iranianos e impedem a passagem de navios comerciais, segundo marinheiros iranianos.

Um representante da Casa Branca reiterou que Trump só aceitará um acordo favorável aos interesses dos EUA e que respeite suas linhas vermelhas.

Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, confirmou que as comunicações com os EUA continuam, destacando a importância do Estreito de Ormuz por estar em águas territoriais do Irã e Omã.

O parlamentar iraniano Alireza Salimi afirmou que apenas Irã e Omã têm autoridade para decidir sobre a gestão da área.

Preparação para possível retomada do conflito

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, alertou que o país está “mais do que preparado” para reiniciar hostilidades contra o Irã, se necessário.

Segundo ele, os estoques de munição de alta precisão e em grande quantidade estão equilibrados globalmente para este propósito.

Na capital iraniana, a população acompanha as negociações com ceticismo.

“Ambos os lados falam de modo a manter seus apoiadores satisfeitos. Não sabemos quem está dizendo a verdade”, comentou Ali, um iraniano de 49 anos da cidade de Tonekabon.

Conflito no Líbano

O chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, declarou que um acordo está “mais próximo do que nunca”, destacando que resolver o bloqueio do Estreito de Ormuz é prioridade sobre a questão nuclear.

O conflito tem causado milhares de mortes e impactado a economia global ao elevar os preços do petróleo, com o FMI e o Banco Mundial alertando para o risco de escassez.

O Irã também exige o fim dos combates no Líbano, onde seu aliado, o grupo xiita Hezbollah, enfrenta Israel desde 2 de março.

Israel retomou bombardeios no sul do Líbano neste sábado e continua avançando, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril e das negociações entre os países.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condenou a escalada de Israel, qualificando-a como “perigosa e sem precedentes” e acusando de uma política de punição coletiva.

Apesar da oposição do Hezbollah, o governo libanês opta pelo diálogo com Israel como forma menos danosa para o país.

Na sexta-feira, oficiais militares dos dois países se encontraram em Washington para preparar nova rodada de negociações sobre segurança para os dias 2 e 3 de junho.

O Hezbollah permanece veementemente contra essas conversas.

Segundo dados oficiais, os ataques de Israel já causaram 3.371 mortes no Líbano desde o início do conflito.

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