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Dívidas de quase R$ 1 milhão afetam restaurantes comunitários do DF

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O funcionamento de três restaurantes comunitários no Distrito Federal está enfrentando sérios problemas devido a atrasos nos pagamentos. As unidades localizadas em Ceilândia Centro, Sol Nascente e Estrutural, todas administradas pela mesma empresa, apresentam dificuldades que incluem atraso no pagamento de funcionários e fornecedores. Houve casos em que colaboradores trabalharam por longas jornadas diárias, chegando a 17 horas, sem contrato formal, sem receber salários e sem receber custeio das passagens para o deslocamento ao trabalho.

Em 2025, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) lançou uma licitação para administrar esses restaurantes, estimando o valor total em R$ 61,8 milhões. A empresa vencedora, Serví Gastronomia Industrial LTDA, assinou contratos que totalizam R$ 18,6 milhões para duas unidades, porém o valor licitado total ficou em aproximadamente R$ 31,2 milhões. A empresa já enfrentava críticas quanto à capacidade de prestar o serviço pelo valor ofertado.

Um dos chefes de cozinha, José Reis, relata que trabalhou dias seguidos sem receber e chegou a custear despesas dos funcionários, como passagens, com recursos próprios para garantir o funcionamento da equipe. Segundo ele, a escassez de insumos, como proteínas e hortaliças, tornou a preparação das refeições cada vez mais precária, embora a comida nunca tenha faltado para a população que depende dos restaurantes.

Os atrasos no pagamento aos fornecedores também são significativos, chegando a quase R$ 1 milhão. Rodrigo César, um dos fornecedores prejudicados, explica que os pagamentos eram feitos parcialmente e depois, as parcelas passavam a atrasar cada vez mais. A dívida inclui itens como utensílios, materiais descartáveis, alimentos, equipamentos e instalações essenciais para cozinhas industriais.

A empresa Serví, criada em 2014 e com sede em Macapá (Amapá), já está sob investigação por supostos delitos envolvendo contratos em outros estados. Em Brasília, está sediada em um coworking na Asa Sul e sua administração está ligada aos sócios Cleyton dos Santos Amanajás e Robson Pacheco Pimentel. Cleyton responde a processos por inadimplência relacionados a contratos anteriores e há registros de gastos pessoais incompatíveis com a situação financeira da empresa.

Um dos principais credores, o empresário Fernando Costa, informa que a empresa deve mais de meio milhão de reais a ele e que o pagamento prometido nunca foi cumprido dentro do prazo habitual do mercado.

Apesar dessas dificuldades, a empresa mantém contratos expressivos, incluindo acordos questionados no Ministério da Educação e negociações pendentes com outras entidades da capital.

Reclamações de usuários e funcionários

Frequentadores do restaurante da Estrutural, a unidade mais afetada, relatam queda na qualidade da comida e limitação na quantidade de marmitas distribuídas. Funcionários denunciam condições ruins de higiene e uso inadequado de equipamentos de proteção, como luvas reutilizadas.

Falta de respostas

A Secretaria de Desenvolvimento Social foi procurada para esclarecer se tinha ciência dos problemas e se havia alguma investigação em andamento, mas não respondeu às solicitações. Os responsáveis pela empresa também não atenderam às tentativas de contato.

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