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Barcos cheios de cocaína e a ligação do PCC com a máfia italiana

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A Operação Narco Sky, conduzida pela Polícia Federal, revelou pelo menos sete missões marítimas utilizadas por uma organização criminosa para transportar grandes quantidades de cocaína do Brasil à Europa. De acordo com a PF, essas ações foram lideradas por um núcleo formado por chefes internacionais do tráfico e operadores brasileiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação resultou na prisão preventiva de dez suspeitos em 2 de maio, incluindo o mafioso sérvio Antun Mrdeza, conhecido como “Nikola Boros”, apontado como membro da máfia italiana ‘Ndrangheta’ aliada à facção paulista.

O esquema era dividido em três núcleos. O primeiro, sediado fora do Brasil, era responsável pelo financiamento e decisões estratégicas. O segundo comandava a logística nacional, enquanto o terceiro era formado por células operacionais para preparo, armazenamento e transporte da droga.

A investigação começou a partir de dados telemáticos fornecidos por meio de cooperação jurídica internacional, analisados pela PF em São Paulo. Com isso, a estrutura da organização foi reconstruída, seus líderes identificados e as operações de envio de cocaína ao exterior mapeadas.

Missões marítimas detalhadas

Venezia

Em 30 de agosto de 2020, cerca de 340 quilos de cocaína foram embarcados no navio Venezia, no porto de Rio Grande (RS). A ação, considerada complexa, foi coordenada pela logística em São Paulo por Marco Aurélio de Souza, o “Lelinho”, que recebia informações de Pedro Alonso Camacho Fernandez, o “Vince”, próximo ao porto. Participou também Alejandro Salgado Vega, o “Tigre”, que definiu o momento exato para o carregamento. Todos são alvos de prisões preventivas.

Panorea

Em março de 2020, o grupo planejou embarcar 500 quilos de cocaína no navio Panorea. Embora frustrada a primeira tentativa no Porto de Paranaguá, a droga foi finalmente inserida no Porto de Santos, porém apenas 80 quilos devido a dificuldades logísticas. A operação usou bolsas estanques e dispositivos de geolocalização, demonstrando alto grau de sofisticação.

Las Palmas

Em maio de 2020, 14 quilos de cocaína foram escondidos no motor de um contêiner refrigerado enviado ao Porto de Las Palmas, Espanha. O flagrante ocorreu após um alerta de Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o “Sapão”, mas a droga foi apreendida pelas autoridades espanholas, evidenciando a capacidade transnacional do grupo.

Mobydick

Em julho de 2020, o veleiro “Mobydick”, pertencente ao mafioso Antun Mrdeza, conduziu droga do litoral paulista à Espanha. O capitão sueco Axel Bertil Eriksson comandou a embarcação, enquanto o grupo brasileiro coordenado por “Lelinho”, “Sapão” e outros membros preparou a operação. A droga estava ligada a uma apreensão aérea em Fernandópolis, interior paulista.

Praia do Góes

Em julho de 2020, uma apreensão de 321 quilos de pasta base de cocaína ocorreu em um imóvel usado como entreposto da quadrilha no Guarujá. Sob responsabilidade direta de “Lelinho”, parte da carga foi perdida e recuperada com sucesso, provando a força e liderança desse integrante dentro do grupo.

Adrienne

A organização tentou resgatar 175 quilos de cocaína do navio Adrienne na Calábria, Itália, por meio de um compartimento selado. Coordenada em território europeu por “Vince”, a operação falhou e a droga foi apreendida no porto italiano de Ancona, demonstrando o monitoramento em tempo real e a cooperação internacional.

Barbara

Outro plano envolveu o navio Barbara para transportar 300 quilos de cocaína com subsequente resgate em alto-mar. Coordenada por “Vince” e “Fisherman”, com supervisão de “Tigre”, a missão foi prejudicada após o fracasso da operação Adrienne. Durante pânico dos tripulantes, a droga foi lançada ao mar e não foi recuperada. Posteriormente, pacotes foram encontrados na Holanda, confirmando a conexão com este esquema.

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