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Governo libera mais emendas para aliados de Lula no Senado
O governo aumentou em três vezes a liberação de emendas de comissão para senadores dos partidos que já confirmaram apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em comparação com os parlamentares do PL, maior bancada da Casa e partido do principal oponente de Lula, Flávio Bolsonaro.
Levantamento realizado com dados de 2026 aponta que os senadores do PT, PSB e PDT receberam, em média, R$ 34,1 milhões em emendas empenhadas. Já os senadores do PL receberam cerca de R$ 9,7 milhões cada.
Até agora, além do PT, fazem parte da coligação o PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin, e o PDT, tradicional aliado do petismo e responsável pelo Ministério da Previdência neste governo.
O senador que lidera o recebimento de emendas foi Cid Gomes (PSB-CE), com R$ 72,9 milhões. Ele deve concorrer à reeleição na mesma chapa que o PT no Ceará, concorrendo contra o grupo do seu irmão, Ciro Gomes (PSDB-CE).
A influência dessas emendas é significativa nas relações políticas locais, por exemplo, com prefeitos que atuam como multiplicadores eleitorais na disputa pelo Senado.
A Secretaria de Relações Institucionais afirmou que não há favorecimento na distribuição das emendas, ressaltando que a atribuição cabe às presidências das comissões e que a liberação depende da disponibilidade financeira e demandas dos ministérios.
Exemplo dessa dinâmica é o caso do prefeito de Coreaú (CE), Edézio Sitonio (PSB), que agradeceu publicamente ao senador Cid Gomes pela destinação de R$ 1 milhão para a saúde local, recurso fundamental para a inauguração de um centro cirúrgico.
Outro destaque é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que recebeu R$ 55,7 milhões. Ele é vice-líder do governo no Senado e tem atuado em pautas favoráveis ao Planalto, como as indicações ao Supremo Tribunal Federal.
Partidos com coligações tanto ao governo quanto à oposição, como MDB, PP, PSD, Republicanos e União, receberam em média R$ 23,5 milhões por senador, valor superior ao triplo do montante destinado ao PL. O governo vê nesses grupos uma possibilidade de ampliar sua base de apoio, mesmo sem formalizar alianças partidárias.
Senadores influentes como a líder do União, Professora Dorinha (TO), que preside a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, receberam R$ 63,2 milhões em emendas. Ela destaca que os recursos concentram-se em áreas ligadas à infraestrutura e turismo na comissão que lidera.
Entre os emedebistas, os senadores Eduardo Braga (AM) e Marcelo Castro (PI) também estão entre os que mais receberam verbas, participando de alianças com o PT para a disputa deste ano.
O PSD lidera a lista dos maiores recebimentos, com R$ 359 milhões, seguido por MDB, PT e PSB. Apesar de ser a maior bancada, o PL está em quinto lugar, com recursos significativamente menores, sendo Efraim Filho (PB) o senador do PL com maior verba assegurada, mas apenas na 44ª posição geral.
O principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, recebeu ainda menos emendas, totalizando R$ 12,7 milhões.
As emendas de comissão são diferentes das individuais e de bancada, pois não têm pagamento obrigatório e sua liberação depende da decisão do Executivo, que pode direcionar os recursos conforme interesses estratégicos, especialmente eleitorais.
O líder do PSD no Senado, Omar Aziz (AM), ressaltou que os senadores da oposição ainda contam com emendas impositivas obrigatórias, enquanto o líder do PL no Congresso, Izalci Lucas (DF), criticou a falta de critérios republicanos na distribuição das emendas.
Inicialmente criadas para financiar projetos nacionais e regionais, as emendas de comissão passaram a ser um instrumento de negociação entre o Congresso e o governo, especialmente após o Supremo Tribunal Federal extinguir o orçamento secreto.
Após essa decisão, tornou-se obrigatório informar o parlamentar que solicitou a emenda, aumentando a transparência e rastreabilidade dos recursos direcionados.


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