Brasil
Trabalhadores alertam sobre contaminação radioativa no Ipen
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) requisitou esclarecimentos após denúncias de possível exposição a material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), situado no campus da Universidade de São Paulo (USP), zona oeste da capital.
“Em situações assim, a ANSN segue procedimentos técnicos padrão, solicitando todos os registros e informações necessárias para uma avaliação adequada do ocorrido”, informou a autoridade na quinta-feira (11).
As denúncias de contaminação por material radioativo nas instalações do Ipen motivaram o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) a pedir um posicionamento oficial e ações imediatas para resolver o problema.
O Ipen é uma autarquia vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) do Estado de São Paulo, gerida técnica e administrativamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Segundo as entidades sindicais, a solicitação foi encaminhada às diretorias do Ipen e da CNEN.
De acordo com informações do Sindsef-SP, a situação exigiu ações emergenciais de descontaminação radiológica, retenção das roupas dos trabalhadores envolvidos, incluindo terceirizados, e atuação da equipe de Proteção Radiológica para controlar o cenário.
“Registrou-se que parte dos procedimentos de descontaminação foram realizados em locais não apropriados para esse tipo de atendimento, o que levanta dúvidas sobre a infraestrutura disponível e o cumprimento dos protocolos de segurança necessários para o manuseio de materiais radioativos”, destacou a nota do sindicato.
Diante da gravidade do caso, a entidade insiste na divulgação de informações oficiais sobre o incidente, incluindo o tipo de material radioativo envolvido, o número de trabalhadores expostos, níveis de contaminação detectados, riscos à saúde e as ações adotadas para conter o problema.
Denúncia sobre situação precária
“Infelizmente, este não é um caso isolado. Outros incidentes, não diretamente ligados à contaminação radioativa, têm ocorrido devido aos cortes orçamentários, à diminuição do quadro funcional e também a falhas na gestão”, afirmou o Sindsef-SP, lembrando de problemas no Reator IEA-R1, como o incêndio ocorrido na Sala de Controle em março deste ano.
Os representantes dos trabalhadores vêm denunciando o desmonte e o sucateamento do Ipen, cobrando investimentos em infraestrutura, concursos públicos, contratações e uma estratégia clara e soberana para o Programa Nuclear Brasileiro.
“O que temos visto, ao longo dos últimos 15 anos, é a imposição gradual da ideologia neoliberal no Brasil. A política do ‘arcabouço fiscal’ é o ápice desse processo de enfraquecimento do Estado”, acrescenta o Sindsef-SP.
Outro ponto crítico, segundo o sindicato, é o atraso de mais de um ano nos exames médicos específicos dos servidores que trabalham com materiais radioativos.
A Agência Brasil tentou obter um posicionamento da CNEN e da USP, mas não recebeu retorno até a finalização desta reportagem.


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