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Cuba aprova mudanças para expandir economia de mercado
O Partido Comunista de Cuba (PCC) aprovou na quarta-feira (17) um conjunto de mudanças econômicas com o objetivo de aumentar a participação da economia de mercado, em um momento em que o país enfrenta uma grave crise devido à pressão dos Estados Unidos.
As alterações no modelo estatal, recentemente apresentadas pelo governo, visam permitir maior investimento privado, atrair capital de cubanos no exterior e diminuir a intervenção estatal.
“O Comitê Central do Partido aprova novas propostas de transformações econômicas e sociais”, comunicou a televisão estatal após uma reunião extraordinária em Havana, criada para discutir cerca de 20 propostas sobre o tema.
O PCC é o único partido autorizado na ilha comunista que possui cerca de 9,6 milhões de habitantes.
Para que as mudanças sejam oficialmente adotadas, elas precisam ser aprovadas pela Assembleia Nacional do Poder Popular, que realizará uma sessão especial nesta quinta-feira (18), poucos dias após o presidente Miguel Díaz-Canel anunciar medidas para amenizar a crise.
O ex-presidente cubano influente, Raúl Castro, de 95 anos, endossou as propostas que buscam revitalizar uma economia que enfrenta desafios há muitos anos e que hoje está sufocada pelo bloqueio americano ao petróleo.
Raúl Castro, que não ocupa cargo oficial mas ainda exerce forte influência nas decisões do país, manifestou seu apoio numa carta lida durante o encontro, destacando que as mudanças são essenciais para a Revolução.
O irmão mais jovem de Fidel Castro (1926-2016), a quem sucedeu em 2006, foi acusado em maio nos EUA pela derrubada, em 1996, de duas aeronaves civis pilotadas por integrantes de um grupo anticastrista de Miami.
Recentemente, o governo permitiu a criação de empresas conjuntas entre o Estado e o setor privado e também autorizou que membros da diáspora cubana invistam e possuam negócios privados em Cuba.
Entretanto, não há garantias de que o presidente americano Donald Trump acolherá positivamente essas mudanças, já que ele tem manifestado desejo por uma mudança econômica e até mesmo política na ilha, localizada a aproximadamente 150 quilômetros da costa da Flórida.
O primeiro-ministro Manuel Marrero declarou que as reformas “não significam abdicar da responsabilidade social do Estado”.
O embargo petrolífero imposto por Trump em janeiro agravou a já fragilizada economia cubana, gerando apagões frequentes e falta de alimentos, combustíveis, água potável e remédios.
Washington também impôs várias rodadas de sanções ao país, aprofundando a crise econômica, social e energética que Havana enfrenta há décadas sob o embargo que está ativo desde 1962.
O governo cubano, mesmo sob pressão, mantém diálogo com os EUA e acredita que as reformas ajudarão a superar a crise. Também está prevista uma reorganização do aparelho estatal, com diminuição do número de ministérios e funcionários públicos.


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