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Economia

Ibovespa cai na semana com receio de juros altos nos EUA

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O Ibovespa teve uma movimentação lateral nesta sexta-feira, influenciado pela ausência de referências das bolsas de Nova York devido ao feriado de Juneteenth, o que resultou em liquidez reduzida. Durante a semana, o índice registrou uma queda de 1,64%, pressionado principalmente pela expectativa de aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, que pode afetar também a política monetária do Brasil ainda em 2026. Os investidores acompanham com atenção uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear do Irã, que foi adiada, além da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), para ajustar melhor suas estratégias.

Desde o início do dia, o Ibovespa teve pequena variação, oscilando em torno de mil pontos, começando pela mínima de 167.657,53 (-0,37%) pela manhã e atingindo a máxima de 168.786,54 (+0,30%) durante a tarde, encerrando o pregão em 168.333,61 (+0,03%). A queda semanal ampliou as perdas do mês para 3,14% e limitou os ganhos acumulados no ano a 4,47%.

Bruna Centeno, sócia advisor da Blue3 Investimentos, destaca que a liquidez reduzida causada pelo feriado nos EUA fez com que os investidores adotassem um comportamento de espera, especialmente após uma semana com eventos significativos na quarta e quinta-feira. “Como grande parte do fluxo financeiro vem do exterior, principalmente dos EUA, o feriado em Nova York diminui a movimentação”, explica.

O volume financeiro do Ibovespa hoje foi de R$ 27,49 bilhões, impulsionado principalmente pelo vencimento de opções sobre ações.

Entre as principais ações, a Petrobras teve comportamentos distintos, com a ação ordinária subindo 0,49% e a preferencial caindo 0,13%. A Vale apresentou alta de 1,01%, enquanto os grandes bancos tiveram, em geral, queda, exceto o Santander Unit que avançou 0,60%.

A situação no Oriente Médio permanece como foco principal dos mercados há meses. As negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear, que estavam marcadas para esta sexta-feira, foram canceladas devido a intensos conflitos entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano, segundo a Associated Press. Em consequência, os contratos futuros de petróleo subiram quase 1%, com o barril de Brent chegando a US$ 80.

Segundo Patricia Krause, economista-chefe da Coface Latin America, o mercado acredita que as negociações serão remarcadas, pois, caso contrário, haveria uma ruptura total e o preço do petróleo teria aumentado ainda mais. Além disso, houve relatos de melhora do fluxo no Estreito de Ormuz, o que contribuiu para um otimismo geral no cenário geopolítico da semana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou durante a tarde que o Irã foi derrotado militarmente e chamou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de “volátil”, afirmando que não pensa muito nele. No entanto, essas declarações não tiveram impacto significativo na Bolsa brasileira.

Bruna Centeno comenta que “Trump precisa resolver a questão urgente do conflito com o Irã, enquanto a disputa eleitoral no Brasil ainda não chama tanta atenção dos investidores”.

Na mesma sexta, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em entrevista ao SBT News que não pretende alterar os pisos constitucionais da saúde e educação, nem desvincular o salário mínimo da inflação ou realizar reforma da Previdência. Essa declaração foi interpretada no mercado de renda fixa como contrária a um ajuste fiscal, provocando uma alta mais acentuada nos juros futuros, mas sem impactar significativamente a renda variável.

Bruna Centeno destaca que, além da situação no Oriente Médio, os investidores aguardam a ata da reunião do Copom de junho, prevista para terça-feira, dia 23. “Neste momento, o mercado está em espera para entender os desdobramentos de EUA e Irã, que influenciam o preço do petróleo, bem como os próximos passos para definir a taxa de juros. Ainda não há clareza suficiente para decisões firmes”, afirma.

Para Patricia Krause, a maior parte da queda do Ibovespa na semana está ligada à política monetária. “A comunicação do Fed sobre o compromisso de controlar a inflação, junto com a alteração no gráfico de projeções indicando alta dos juros ainda este ano, pesou no mercado”, conclui.

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