Economia
Aluguel cresce acima da inflação no Brasil
O aumento no valor do aluguel residencial no Brasil tem sido uma preocupação crescente para quem está procurando imóvel para alugar. Dados recentes do Índice FipeZAP de Locação indicam que os preços subiram mais que a inflação oficial no mês de maio.
O levantamento mostrou que os preços de locação tiveram um aumento de 0,85% no período, enquanto a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,58%. O IGP-M, conhecido como o ‘índice do aluguel’, apresentou alta similar de 0,84%.
A professora de economia digital da Cesar School, Amanda Aires, explica que o aumento dos aluguéis acima da inflação reduz o poder de compra das famílias que alugam casas ou apartamentos.
“Isso é prejudicial porque os salários geralmente crescem conforme a inflação ou um pouco mais, mas o aluguel sobe em ritmo maior, o que faz com que o aluguel consuma uma parcela maior da renda familiar. Consequentemente, sobra menos dinheiro para alimentação, transporte, lazer e muitas pessoas acabam não conseguindo morar sozinhas ou perto do trabalho”, esclarece.
Diante dessa situação, Amanda prevê que os preços do aluguel dificilmente vão cair nos próximos meses, mas acredita em uma desaceleração do aumento.
“No curto prazo, espera-se uma desaceleração, não uma queda. Os dados mostram alta menor do que em 2025 e índices abaixo da inflação, porém não queda, e isso só vale para novos contratos, pois os contratos antigos continuam com reajustes pouco significativos devido ao IGP-M negativo”, comenta.
Aluguéis em Recife
No Recife, os preços dos aluguéis seguem a tendência nacional, subindo acima da inflação segundo o Índice FipeZAP. Em maio de 2026, o valor médio dos aluguéis residenciais aumentou 0,39%, mantendo a valorização do mercado local.
No acumulado de 2026, entre janeiro e maio, os aluguéis em Recife subiram 4,92%, superando a inflação oficial no período (3,20%). Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 10,09%, mais que o dobro da inflação acumulada de 4,72%.
Recife também figura entre as cidades com aluguel mais caro do país, com preço médio de R$ 63,64 por metro quadrado em maio, o segundo maior entre 22 capitais analisadas, ficando atrás apenas de São Paulo (R$ 64,67/m²).
Joebson Maurilio, doutor em economia e professor da FCAP-UPE, aponta que a alta é causada por diversos fatores. A dificuldade de acesso ao crédito devido à taxa Selic ainda elevada faz com que o aluguel seja a principal opção, elevando a demanda e consequentemente os preços. Além disso, a escassez de oferta e os custos de manutenção impactam.
Outro fator destacado por Joebson Maurilio é a localização: áreas da Zona Sul e algumas da Zona Norte do Recife recebem investimentos e atenção especial do poder público, valorizando os imóveis dessas regiões.
Cuidado ao assinar contratos
Com o mercado imobiliário aquecido e aumento dos aluguéis, o advogado especialista em direito imobiliário e fundador da GMG Premiere, Guilherme Guerra, alerta para a necessidade de atenção redobrada no início do contrato de locação.
“É fundamental que o contrato indique claramente qual índice será usado para reajuste anual, para evitar surpresas tanto em momentos de alta quanto de queda do mercado”, orienta.
Se o contrato já foi assinado sem essa atenção, ainda há recursos legais. Guilherme explica que o inquilino pode recorrer judicialmente por meio de ação revisional de aluguel, para reduzir ou aumentar o valor mensal conforme o caso.
Porém, ele recomenda que o diálogo seja sempre a primeira opção, buscando negociação direta com o locador. Demonstrar interesse em permanecer no imóvel e cuidar dele pode ajudar a evitar reajustes abusivos, que podem comprometer os pagamentos em dia.
“A via judicial deve ser acionada apenas após todas as tentativas de acordo. Com apoio jurídico especializado, o inquilino pode provar a abusividade do aumento apresentando dados comparativos de imóveis similares na mesma região”, conclui o advogado.

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