Brasil
Sandro Becker fala sobre prisão em Caruaru: só li, orei e chorei
Sandro Becker, cantor alagoano conhecido pelos hits dos anos 80 “Julieta” e “Forró Malicia”, quebrou o silêncio acerca da prisão que cumpriu em março deste ano em Caruaru, devido a uma dívida de pensão alimentícia.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, o artista negou que tenha simplesmente deixado de pagar a pensão e explicou que sempre colaborou financeiramente com os filhos após a separação. Segundo ele, o processo foi aberto pela sua ex-esposa em 2015 e tramitava em segredo de justiça.
Sandro relatou que sua situação financeira piorou durante a pandemia, quando perdeu contratos, vendeu um ônibus e encerrou sua banda. “Não é que eu não pagasse, eu sempre contribuí com a criação dos meus filhos, mas não havia um valor fixo nem um acordo judicial”, esclareceu.
Ele informou ainda que, por anos, realizou pagamentos espontâneos e arcou com despesas relacionadas à educação dos filhos. Entretanto, com o avanço do processo, a dívida teria alcançado R$ 518 mil. O cantor chegou a oferecer um imóvel da família avaliado na época em cerca de R$ 1.780.000 como forma de quitar o débito.
A situação complicou-se quando peritos foram chamados para avaliar o imóvel, mas, conforme Sandro, um dos filhos impediu a entrada dos avaliadores na casa. “Meu filho disse que ninguém entraria para perícia alguma e que, se estivesse por perto, seria enfrentado com violência”, contou.
Em março, após um show em Caruaru, Sandro Becker foi abordado no dia seguinte por policiais enquanto participava de uma cerimônia. “Nossa missão é difícil”, teria comentado um dos agentes ao entregar a intimação. O cantor afirmou que não resistiu à prisão. “Cumpra-se, é o seu dever, então fui”, declarou.
Sandro ficou 21 dias na Penitenciária de Caruaru. Ele destacou que não foi algemado nem transportado em camburão e que manteve contato com familiares e advogados durante o trajeto. Depois, cumpriu o restante da medida em casa, usando tornozeleira eletrônica.
O cantor criticou o impacto da prisão em sua carreira profissional. Relatou que tinha 12 shows agendados, mas não pôde realizar nenhum durante o período. “Como eu conseguiria dinheiro para a família estando três meses preso?”, questionou.
Ao recordar os 21 dias na penitenciária, resumiu a experiência: “Durante esse tempo, só fiz três coisas: ler, orar e chorar”. Para Sandro Becker, a prisão não resolveu sua situação. “A prisão não recupera ninguém, só atrapalha”, concluiu.


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