Economia
Herança sem complicação: organize, economize e evite brigas
A trama da novela “Quem ama cuida” traz à tona uma realidade que muitas famílias brasileiras enfrentam: a necessidade de planejar a divisão da herança de forma organizada, evitando disputas e transtornos.
Em 2025, houve um recorde com 38.740 testamentos registrados no Brasil, indicando que cada vez mais pessoas buscam antecipar a sucessão patrimonial, conforme dados do Colégio Notarial do Brasil.
Embora antecipar a partilha seja um avanço, o processo pode ser comprometido por impostos e decisões mal planejadas, que impactam o patrimônio. Especialistas reforçam a importância de um planejamento cuidadoso para evitar esses contratempos.
A importância do planejamento antecipado
Na novela, o personagem Arthur Brandão casa-se com a fisioterapeuta Adriana para proteger sua fortuna de irmãos que julga interesseiros. Após seu falecimento, começam as suspeitas, evidenciando os conflitos que podem surgir.
Segundo o Código Civil, os herdeiros necessários — descendentes, ascendentes e o cônjuge — têm direito a 50% da herança, independentemente do regime de bens adotado no casamento. A parte restante pode ser destinada conforme vontade do falecido, inclusive por testamento.
O advogado especialista em Planejamento Patrimonial Artur Guarnieri destaca que o principal erro é adiar o planejamento devido ao tabu da morte e à crença de que somos invencíveis. Ele recomenda organizar um inventário detalhado do patrimônio e reunir documentos essenciais, como matrículas e contratos, para facilitar o processo.
Além disso, o seguro de vida é uma ferramenta valiosa para apoiar a família nos custos imediatos e na manutenção do patrimônio, conforme explica Antonio Carlos de Almeida Braga, diretor da Icatu Seguros.
Cuidados ao receber a herança
Após o acesso à herança, é fundamental evitar decisões impulsivas. O especialista em finanças Eric Oliveira aconselha buscar orientação profissional para avaliar os riscos e definir como alocar os recursos adequadamente.
Álvaro Matheus, especialista em investimentos, lembra que o momento é delicado e recomenda manter os valores em aplicações conservadoras até o planejamento estar consolidado.
Tributação e custos envolvidos
Ao planejar a sucessão, é necessário considerar o impacto do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), cuja alíquota varia por estado, podendo chegar a 8%. Além disso, custos com cartório, honorários advocatícios e inventário influenciam no valor final disponível.
A contadora Edna Dias da Silva alerta para a possível incidência futura do Imposto de Renda caso o bem seja vendido por valor maior.
Manter a documentação alinhada e correta evita problemas com a Receita Federal, reforça a especialista em direito societário Jônia Barbosa.
Instrumentos para organizar a sucessão
Existem diferentes modalidades para planejar a transferência do patrimônio. O testamento define a destinação da parte disponível, enquanto a doação em vida antecipa a transmissão, podendo reduzir burocracias e custos, ainda mais com as isenções previstas em alguns estados.
A holding familiar reúne bens em uma empresa, facilitando a gestão e a governança do patrimônio, sendo recomendada para famílias com imóveis ou negócios em funcionamento, conforme explica Guarnieri. Porém, essa opção é indicada para patrimônios maiores devido à sua complexidade e custo.
Adotar essas estratégias contribui para garantir que o patrimônio seja preservado, reduzindo conflitos e despesas desnecessárias.


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