Brasil
segurança muda versão e admite agressão a ciclista em copacabana
Em menos de um dia, Davi Santos Machado, segurança de 21 anos, alterou significativamente seu depoimento sobre a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, vítima de agressão em Copacabana, Rio de Janeiro, na noite de 11 de agosto. Inicialmente, Davi alegou ter apenas dado um soco no braço do ciclista para retirar uma bicicleta, sem testemunhar ataques posteriores.
No entanto, em depoimento seguinte, ele confessou ter participado diretamente da violência, junto com dois entregadores, descrevendo uma série de golpes, inclusive com uso de um cacetete, e qualificando seu comportamento como um “ato insano” ao atingir a cabeça da vítima várias vezes.
As investigações indicam que Cláudio, de 37 anos, foi confundido com um ladrão, sendo que a bicicleta era de sua irmã. A agressão durou cerca de nove minutos e foi parcialmente filmada pelos próprios envolvidos. Quatro pessoas foram responsabilizadas por homicídio qualificado, considerando crueldade, motivo fútil e a vulnerabilidade da vítima.
Primeira versão
No primeiro relato, Davi disse que agia como segurança de uma lanchonete na Rua Barata Ribeiro e que foi informado por um entregador sobre um homem com comportamento suspeito próximo a uma bicicleta abandonada. Ele afirmou ter perguntado a quem pertencia a bike, ouvir uma negativa de Cláudio e decidido guardar o veículo até o dono aparecer. Chegando a dar um soco no braço do ciclista para retirar a bicicleta, disse não ter presenciado agressões posteriores e não saber quem as cometeu.
Reconhecimento e confissão
Durante um segundo depoimento, Davi negou conhecer Cláudio e mudou a origem da suspeita, dizendo que um morador avisou sobre a presença do homem suspeito. Ele afirmou ter questionado o ciclista sobre a bicicleta próxima a uma pilastra, novamente recebendo uma negativa. Davi entregou a bicicleta a um colega, que iria registrar fotos para identificar o dono.
Mais tarde, Davi admitiu ter acompanhado Cláudio e se envolvido nas agressões junto a dois entregadores, que o interrogaram sobre ser ladrão e que passaram a agredi-lo fisicamente, incluindo com um porrete. O grupo teria levado a vítima a uma rua próxima, onde a violência continuou até que ele fosse abandonado ferido e sangrando.
Detalhes da agressão
Davi relatou que as agressões envolveram socos, chutes e golpes com cacetete, e que a vítima não ofereceu resistência física. Ele disse que um dos presentes o encorajou a usar o porrete na cabeça do ciclista, momento em que ele desferiu vários golpes consecutivos, descrevendo a ação como um ato insano. Segundo Davi, embora muitos tenham observado o ataque, ninguém interveio.
O segurança ressaltou que agiu por instinto, sem evidências concretas de furto da bicicleta, e que decidiu confessar após a mãe passar mal ao saber do ocorrido. Disse ainda que não entrou em contato com nenhum serviço de emergência nem voltou ao local.
Contexto e testemunhas
Davi conhece de vista os entregadores envolvidos e trabalha com uma equipe de seis homens, coordenada por um policial militar. Embora afirme não ter ciência da existência de filmagens, a polícia suspeita que parte do ataque foi registrada pelos próprios agressores.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login