Economia
Governo amplia uso de títulos Selic e dívida federal alcança R$ 9,29 tri
A dívida pública federal (DPF) cresceu 0,22% em julho em comparação a junho, atingindo o montante de R$ 9,29 trilhões, conforme divulgado no Relatório Mensal da Dívida pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira.
Diante dos desafios para emitir títulos de longo prazo no mercado, o Tesouro Nacional revisou o Plano Anual de Financiamento (PAF), elevando a participação dos títulos vinculados à Taxa Selic, reduzindo os papéis prefixados e aqueles indexados à inflação.
Na atualização, o intervalo de referência para os títulos atrelados à Selic na composição da DPF prevista para o final de 2023 passou de 46%-50% para 49%-53%.
Os títulos prefixados tiveram seu intervalo reduzido de 21%-25% para 20%-24%, enquanto os títulos vinculados à inflação caíram de 23%-27% para 21%-25%.
A parcela dos títulos atrelados ao câmbio manteve-se entre 3,0% e 7,0%.
O Tesouro explicou que o aumento na participação dos títulos com rentabilidade flutuante na DPF reflete um cenário de maior volatilidade e juros elevados, o que favorece instrumentos de menor duração e menor sensibilidade às variações das taxas de juros.
Segundo o órgão: “Neste contexto, a demanda está concentrada em títulos indexados à taxa Selic, o que favorece sua emissão e aumenta sua participação relativa no estoque da dívida.”
Além disso, o Tesouro destacou que a volatilidade contínua no cenário econômico nacional e internacional, somada às incertezas decorrentes das tensões geopolíticas e seus impactos nas condições financeiras globais, mantém elevados prêmios de risco, dificultando a emissão de papéis de prazo mais longo e prefixados.
Essa conjuntura reforça a necessidade de ajustar os limites de referência para a composição da Dívida Pública Federal de acordo com as condições atuais do mercado, visando garantir a viabilidade do plano.
Em julho, os títulos flutuantes representaram 51% do estoque da DPF, enquanto os papéis vinculados à inflação corresponderam a 26% e os prefixados a 19%.
A Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) somou R$ 8,949 trilhões no mês, e a Dívida Pública Federal Externa (DPFe) atingiu R$ 340 bilhões.
Quanto ao perfil de vencimento, houve redução nos prazos de até 12 meses, de 20,07% para 18,91%.
O prazo médio da dívida aumentou de 4,01 anos para 4,05 anos, mantendo-se dentro da faixa de referência do PAF, que é entre 3,8 e 4,2 anos.
Para a DPMFi, o prazo médio passou de 5,34 anos para 4,94 anos.
O custo médio anual da dívida pública federal acumulada em 12 meses caiu de 12,68% em junho para 12,45% em julho.
Por fim, a reserva de liquidez elevou-se nominalmente de R$ 1,345 trilhão para R$ 1,371 trilhão, alcançando um índice de liquidez de 7,81 meses.

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