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Agropecuária avança perto de áreas protegidas na Amazônia

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O crescimento da agropecuária nas regiões próximas às zonas preservadas do bioma Amazônia, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Quilombolas, tem sido significativo. Em 2025, essa atividade ocupava 30,5% do total dessas áreas.

Os dados, divulgados em 14 de junho, fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, que compila informações sobre o uso e a cobertura do solo no Brasil de 1985 a 2025.

Em 2025, a agropecuária ocupava 65,2 milhões de hectares na Amazônia, sendo que 13,6 milhões de hectares estavam exatamente no entorno das áreas onde a legislação protege a vegetação nativa.

A proximidade das estradas às áreas conservadas também aumenta a pressão sobre essas regiões, onde a vegetação nativa representa 98%. O estudo indicou que as áreas mais próximas das vias são as que mais apresentam presença da agropecuária.

Dos 157 milhões de hectares localizados a até 5 km dos 618 mil km de estradas mapeadas, 40,2% são ocupados pela agropecuária, o que equivale a 63 milhões de hectares, ou seja, mais de 96% da área plantada no bioma.

Com o aumento da distância em relação às estradas, a presença da agropecuária diminui, estando presente em apenas 26,7% das áreas mais distantes.

Segundo o pesquisador Bruno Ferreira, do Imazon e integrante da equipe do MapBiomas Amazônia, essa ocupação crescente representa um risco para a conservação do bioma.

“As estradas favorecem o acesso às áreas de vegetação nativa, facilitando a ocupação e a conversão do solo. No entorno e dentro das áreas protegidas, essa pressão pode promover a expansão da agropecuária, mineração e outras atividades que alteram a cobertura e o uso da terra”, alerta.

O estudo também revelou que, em 41 anos, a expansão da agropecuária nas áreas próximas às protegidas da Amazônia cresceu 561%.

Metodologia

A pesquisa combinou dados da Coleção 11 do MapBiomas com informações das estradas fornecidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e pelo OpenStreetMap.

O total de 618 mil km de vias inclui também estradas que não pertencem à malha rodoviária oficial.

Desmatamento

No ano de 2025, o desmatamento na Amazônia foi registrado em 693 mil hectares, o menor índice da série histórica.

A maior parte do desmatamento, 639 mil hectares, ocorreu em áreas de vegetação primária, ou seja, locais de vegetação nativa ainda intocada. Outros 54 mil hectares desmatados estavam em vegetação secundária, onde o ecossistema já sofrera intervenções, mas mantinha capacidade de regeneração natural.

Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, o que, somado à área já transformada, resulta em 74,6 milhões de hectares de território antropizado.

Durante esse período, a formação florestal foi o tipo de vegetação mais afetado pelo desmatamento, com perda de 49,7 milhões de hectares, o que representa uma redução de 14,8%.

Agropecuária e mineração

Em 2025, a agropecuária ocupava 15,5% do território amazônico, correspondendo a uma área de 65,3 milhões de hectares. Dessa área, 50,8 milhões de hectares, ou 12% do bioma, são destinados à pecuária e pastagens, enquanto 8,6 milhões de hectares, equivalentes a 2%, são cultivados para agricultura.

A mineração também cresceu significativamente e, em 2025, estava presente em 440 mil hectares na Amazônia, uma expansão de 14 vezes em 41 anos, considerando que no início da série histórica essa atividade ocupava apenas 32 mil hectares.

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