Brasil
Brasil enfrenta desafios para fortalecer papel na bioenergia
O Brasil enfrenta desafios importantes para firmar seu papel no setor de bioenergia, com oportunidades para avançar na transição para uma matriz energética mais sustentável. As principais questões envolvem políticas públicas, infraestrutura e regulamentação.
O tema foi discutido no painel Bioenergia na Segurança Energética e Climática, durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação.
André Nassar, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), destaca que a bioenergia precisa focar na descarbonização com biocombustíveis, apesar dos debates anteriores sobre o impacto ambiental da cana-de-açúcar, milho e soja.
Há consenso de que a bioenergia pode ampliar sua aplicação e alcançar mercados internacionais, especialmente nos setores da aviação civil e transporte marítimo. Nassar acredita que a navegação é um dos setores com maior potencial para a internacionalização da bioenergia.
Luciano Rodrigues, diretor de inteligência estratégica e regulação da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) e professor da FGV, ressalta que o Brasil já avançou com programas como o RenovaBio, mas o foco agora deve ser consolidar esses programas existentes ao invés de criar novos.
Daniel Lopes, da FS Bioenergia, lembra que o etanol de milho trouxe inovação ao mercado brasileiro, representando atualmente 30% da produção nacional e complementando o etanol de cana. Lopes, vice-presidente de sustentabilidade e novos negócios da FS Bioenergia, explica que o etanol de milho já possui tecnologias para diferentes aplicações e será fundamental na redução de emissões.
Um dos desafios futuros apontados por Nassar é a transformação das refinarias de petróleo em biorrefinarias, como acontece nos Estados Unidos com a produção de SAF (combustível sustentável de aviação). Rodrigues reforça que o etanol de cana possui um histórico de inovações e já avança para um leque maior de aplicações.
Lopes também destaca subprodutos do etanol de milho, como o óleo de milho e o DDG (ingrediente para alimentação animal), ressaltando que a FS Bioenergia foi pioneira nesse setor há nove anos, quando o etanol de milho ainda não existia no Brasil.
São Paulo Innovation Week reúne especialistas do mundo todo para debater ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música, filosofia e outros temas importantes para o futuro.

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