Brasil
Campanha de voto contra o preconceito na Parada Brasília Orgulho
O calor intenso da estação seca em Brasília realçou a variedade de cores na Esplanada dos Ministérios durante a Parada Brasília Orgulho, realizada neste domingo (26).
Bandeiras, fantasias, maquiagens e leques abundavam, expressando claramente a mensagem “existimos, estamos presentes e amamos quem somos”.
A estilista e performer maranhense Havenna Wandelookx, presente em Brasília há 16 anos, também participa da parada do orgulho LGBT+ na cidade há todo esse tempo. Ela destaca a combinação de diversão e conscientização que caracteriza o evento.
“É fundamental manter a consciência, além do divertimento, claro. Estamos aqui para celebrar, brilhar e nos expressar. Mas sempre com a consciência de que nossa vida vai além disso e que podemos mostrar às pessoas algo muito positivo, mesmo diante do ódio existente”, explicou.
Um dos organizadores da Parada Brasília Orgulho, Richard Alexandre, ressaltou o aspecto político da celebração.
“Não se trata apenas de festa, é também uma luta intensa. Mas também nos divertimos, usamos nossas cores para celebrar, e utilizamos o espaço para afirmar que existimos, que exigimos respeito e dignidade”.
Além da música e engajamento político, a Parada Brasília Orgulho ofereceu diversos serviços à população com várias tendas, incluindo atendimentos de enfermagem, apoio da Polícia Civil para denúncias contra a LGBTFobia e assistência da Defensoria Pública para questões sobre a inclusão do nome social em documentos.
Eleições
O tema deste ano, “LGBT, levante e vote”, visa encorajar a comunidade LGBT+ a participar das eleições e a escolher candidatos que promovam o respeito e os direitos de todos.
Richard Alexandre afirmou: “Precisamos, cada vez mais, de parlamentares que compreendam nossa pauta, nos respeitem, protejam e usem a legislação em favor da proteção da comunidade”.
Welton Trindade, coordenador da Parada Brasília Orgulho, destacou os avanços nas conquistas da população LGBT+ ao longo dos anos. “Observamos o aumento de pessoas LGBT eleitas. A parada começou em 1998, quando não tínhamos representantes nos poderes”.
Participante habitual
Enquanto a música e os discursos ecoavam da carro de som pela Esplanada, uma senhora observava tudo envolta em uma bandeira do Brasil com as cores do arco-íris do movimento LGBT.
Sueli Oliveira, 67 anos, participa das marchas LGBT em Brasília e São Paulo há vários anos. “Sou uma participante frequente, digamos assim”, comentou com um sorriso suave. Militante e lésbica, Sueli enfatiza a importância da presença da comunidade LGBT nas ruas e nas eleições.
“Participar dessas ações é fundamental para dar visibilidade à nossa luta e existência”, afirmou. Para ela, é crucial combater o preconceito, o ódio e a LGBTFobia por meio do voto, e a parada é o momento ideal para reforçar essa mensagem.
“É o momento para afirmar: atenção, existimos, temos o direito, como qualquer cidadão, de estar aqui, votar e amar quem desejamos”.

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