Mundo
Candidato francês propõe cancelar dívida do país
O líder do partido França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, um dos principais candidatos nas pesquisas para a eleição presidencial francesa de 2027, causou polêmica ao apresentar uma proposta de campanha para eliminar 600 bilhões de euros da dívida nacional.
De acordo com ele, a ideia seria simplesmente contar com os 18% dessa dívida que está nas mãos do Banco da França, o que gerou muitas críticas, visto que essa medida pode ser interpretada como um calote.
“Isso é uma fraude clara. Quando você pega emprestado 100 euros e decide não pagar, não está criando dinheiro, está tirando de quem emprestou”, explicou o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, em uma publicação na rede social X. Ele acrescentou que os juros pagos pela dívida ao Banco da França são transferidos ao Tesouro Público como dividendos.
“Em resumo, essa proposta não geraria nenhum benefício real”, afirmou Lecornu, alertando que ela poderia comprometer a confiança no país.
Jordan Bardella, líder do partido Reagrupamento Nacional e apoio de Marine Le Pen, também comentou na mesma rede social, questionando a proposta de Mélenchon.
Ele destacou que a anulação da dívida poderia preocupar investidores, que temeriam que o Estado tentasse fazer o mesmo com credores privados, levando a um aumento das taxas de juros para financiar a dívida francesa.
Por outro lado, o banqueiro de investimentos Matthieu Pigasse, que tem orientação de esquerda, manifestou apoio a Mélenchon. Em uma conferência realizada recentemente pelo partido França Insubmissa, Pigasse defendeu que os títulos detidos pelo Banco da França poderiam ser cancelados sem causar impactos econômicos ou financeiros.
Essas afirmações geraram um debate intenso na rede social X, com o ex-economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, criticando o assunto como sendo “idiota”.
Conforme a pesquisa mais recente da Toluna-Harris Interactive para a M6 e a RTL, Mélenchon aparece em segundo lugar em três dos cinco cenários testados, atualmente com mais de 16% das intenções de voto, um crescimento em relação aos 12% apontados na pesquisa anterior de abril.
Com isso, ele poderia competir contra Marine Le Pen em um possível segundo turno das eleições presidenciais.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login