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Cansado dos problemas em cidades de Minas, diz Cunha
A Polícia Federal interceptou comunicações entre Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, e uma funcionária da Casa, nas quais Cunha expressa descontentamento com algumas cidades de Minas Gerais, estado pelo qual planeja candidatar-se nas próximas eleições.
Cunha, que teve seu mandato cassado em 2016, teve até R$ 6,15 milhões congelados por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de redirecionamento indevido de emendas parlamentares destinadas a municípios mineiros mesmo sem exercer mandato.
Esta investigação é uma ramificação da Operação Transparência, que apura desvios nas alocações de emendas do chamado orçamento secreto. Na sexta-feira, a operação já havia resultado no bloqueio de até R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Nos diálogos apreendidos, cuja divulgação ocorreu neste domingo, Cunha reclama especificamente de cidades no estado onde pretende disputar as eleições de outubro.
As conversas foram extraídas do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora da Câmara apontada como facilitadora do esquema de manipulação das emendas parlamentares. Em um momento, o ex-deputado soluciona um conflito trocando a cidade beneficiada por uma emenda:
“Boa tarde, desculpa, mas eu não suporto mais esses mineiros enrolados. Troque a emenda destinada a Governador Valadares por esta, pois lá também surgiram problemas com pedidos de ofício, etc. É mais simples substituir”, escreveu.
Na representação que fundamentou a decisão do ministro Dino, a Polícia Federal ressalta que, simbolicamente, os fatos demonstram a falta de controle político e a desvinculação ao interesse público dessas emendas, destacando que Eduardo Cunha jamais teve ligação política com Minas Gerais.
O documento ainda enfatiza que em vários trechos das conversas Cunha revela pouco respeito pelo estado e pelos prefeitos com quem se relacionava. Assim, mesmo sem manter laços políticos na região, o pré-candidato busca captar recursos para municípios mineiros, claramente numa tentativa de obter apoio político local para as eleições.
Substituição de Municípios nas Emendas
A mensagem mencionando os “mineiros enrolados” não é a única na qual Cunha modifica destinos das emendas. Em setembro de 2025, diante de uma disputa acerca da autoria de uma emenda destinada a Manhuaçu, ele desiste do repasse e determina a substituição do município: “Bom dia. Troque Manhuaçu por esses para acabar com a confusão”, indicando o Fundo Municipal de Saúde de Governador Valadares e a Associação Hospital Belizário Miranda como novos beneficiários. Referindo-se à disputa, resume: “Cidade pequena é uma guerra”.
Em outro trecho, ao solicitação de remanejamentos envolvendo Matias Barbosa, Pedrinópolis e Varjão de Minas, Cunha pede desculpas pela complicação: “Desculpa o trabalho, mas Minas é muito pulverizada”. A servidora responde: “Tranquilo. São muitos municípios mesmo”.
De acordo com os investigadores, as emendas, que deveriam atender demandas legítimas de representantes eleitos, foram subjugadas a um esquema informal conduzido por alguém que não responde mais ao eleitorado, ao Parlamento, ou às regras da transparência republicana.
Além do bloqueio dos bens, a decisão assinada em 6 de julho por Dino suspendeu a execução de todas as emendas sob suspeita.

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