Brasil
Complexo de Israel: favelas com carros-bomba, valas e drones
Complexo de Israel é uma área composta por favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro, dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), uma facção criminosa que controla grande parte da cidade. Esta região abrange três grandes comunidades: Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta, além das favelas menores Pica-Pau e Cinco Bocas.
Originalmente uma vasta zona rural, o local começou a ser ocupado no final dos anos 1960, quando moradores desalojados da Zona Sul devido a incêndios criminosos foram deslocados para os conjuntos habitacionais então em construção na área.
O comando rigoroso do complexo fica a cargo do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, líder do TCP. Entre as medidas impostas por ele estão a instalação de câmeras de vigilância nas comunidades, a construção de pontes ligando as favelas e o fechamento de templos católicos.
A atuação policial no Complexo de Israel tem sido extremamente desafiadora. Em ações recentes, além dos tiroteios intensos, os agentes foram surpreendidos por armadilhas criadas pelos traficantes, incluindo carros-bomba e barricadas com explosivos que podem ser detonados remotamente ao se aproximarem.
Essas barreiras explosivas e veículos armados são estratégias recentes adotadas por Peixão para afastar tanto a polícia quanto grupos rivais.
Além disso, valas profundas foram escavadas para bloquear ruas e dificultar o trânsito de veículos de segurança, como a encontrada na Rua Jorge Coelho, em frente à estação Cordovil, onde um carro esteve perto de cair numa dessas armadilhas.
Peixão também utiliza drones que transportam explosivos — esses veículos aéreos já foram avistados sobrevoando o Complexo da Penha, controlado pelo Comando Vermelho (CV). O uso desses dispositivos faz parte da estratégia de vigilância, demarcação territorial e ataques contra inimigos.
Em maio de 2017, uma foto do traficante pilotando um drone do alto de uma laje na Cidade Alta circulou nas redes sociais. Investigações indicam que ele faz parte de um grupo que investe em tecnologia para fortalecer suas operações.
Na última operação policial, foi confirmado pela PM o uso pioneiro de carros-bomba no local, além da descoberta de barricadas explosivas. Os dispositivos são ativados remotamente para explodir quando as forças de segurança se aproximam.
Um vídeo divulgado por um policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) mostrou o funcionamento desses acionadores remotos, que permitem detonar cargas explosivas à distância, conectando os polos positivo e negativo para ativar o mecanismo por controle remoto.
As explosões e barricadas tinham como propósito impedir ou dificultar a passagem de veículos. Próximo às barreiras, eram usadas as chamadas certeiras, pequenos espaços para disparos de armas como fuzis contra quem tentasse desmontar as barricadas. Os pneus inflados, frequentemente usados nessas barreiras, geram uma fumaça densa e escura, atrapalhando a visibilidade tanto no solo quanto no ar.
Em setembro do ano passado, dois policiais ficaram feridos por uma barricada explosiva durante patrulhamento na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, também na Zona Norte. Estes artefatos estavam escondidos sob cones de trânsito como armadilhas e causaram danos a uma viatura, além dos ferimentos por estilhaços aos agentes.

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