Brasil
Deepfake doméstico vira nova ameaça em fraudes financeiras
Com a chegada massiva de ferramentas de criação de imagens por inteligência artificial (IA), o uso de deepfake feito em casa tem crescido significativamente no Brasil. Dados da Unico, empresa especializada em verificação de identidade, mostram que houve um aumento de 400% nos primeiros seis meses deste ano comparado ao mesmo período do ano anterior.
Geralmente, pessoas comuns criam deepfakes caseiros com o objetivo de enganar familiares ou conhecidos e burlar sistemas de bancos, instituições financeiras e lojas online. A intenção é fraudar mecanismos de prova de vida para realizar saques, conseguir empréstimos ou efetivar compras indevidas.
Deepfakes são vídeos gerados por IA capazes de sobrepor ou reproduzir rostos digitalmente. Nos últimos anos, aplicativos para criar esses vídeos se tornaram populares, representando um grande desafio para empresas de todos os tamanhos.
“Nossas auditorias recentes destacam um novo tipo de fraudador: indivíduos comuns que utilizam apps de deepfake para se passar por familiares e aprovar operações. Isso permite que criminosos explorem a intimidade e o acesso aos dados das vítimas”, explica Fernanda Beato, diretora-geral da Unico no Brasil.
A ameaça dos deepfakes tem sido uma preocupação para autoridades e especialistas. A tecnologia tem sido usada não apenas em fraudes financeiras, mas também em violência sexual contra mulheres e menores, além de disseminação de desinformação.
No final de julho, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou um relatório destacando que o avanço das tecnologias matemáticas e a automação facilitaram a criação em massa de mídias sintéticas realistas, permitindo que pessoas sem conhecimento técnico produzam falsificações visuais e sonoras altamente convincentes por meio de softwares acessíveis.
A popularização dessa tecnologia tornou os golpes com deepfake caseiro mais comuns do que fraudes sofisticadas que exigem conhecimentos avançados. Segundo a Unico, antes as fraudes complexas representavam 61% dos ataques, mas esse número caiu para 14% neste ano, enquanto os golpes simples com deepfake doméstico aumentaram.
O Brasil lidera a América Latina em casos de deepfake, concentrando 39% dos incidentes registrados na região em 2025, com um aumento de 126% nos ataques utilizando imagens, vozes e identidades falsas em relação ao ano anterior.
Uma pesquisa da Veriff, empresa de verificação digital, revela que 80% dos brasileiros já encontraram deepfakes online, acima da média mundial de 60%. No entanto, apenas 29% conseguem identificar vídeos falsos, e 35% reconhecem corretamente vídeos reais.
Nos primeiros seis meses do ano, a Unico bloqueou tentativas de fraude que somam R$ 19,6 bilhões, um aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram mais de 13 milhões de ataques detectados contra 23 setores econômicos.
Embora o número de tentativas de deepfake caseiro tenha subido, muitos desses golpes apresentam baixa qualidade técnica e são barrados pelos sistemas de prova de vida, que analisam profundidade, textura e naturalidade das imagens. Ainda assim, o uso desses vídeos falsos para enganar pessoas próximas, como um filho solicitando transferência de dinheiro, segue sendo uma tática comum de engenharia social.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login