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Conflitos no Irã e Líbano ameaçam a paz
O Irã acusou os Estados Unidos nesta terça-feira (26) de desrespeitar o cessar-fogo após ataques americanos à noite no sul do país. Enquanto isso, a ofensiva de Israel no Líbano resultou em 31 mortes, conforme autoridades locais.
Esses eventos representam um retrocesso nas negociações destinadas a encerrar a guerra no Oriente Médio.
O cessar-fogo, acordado em 8 de abril entre Estados Unidos e Irã, foi seguido por semanas de impasse e ameaças até que ambos os lados reportaram avanços recentes nas conversações.
A mídia estatal do Irã reportou explosões noturnas em Bandar Abbas, uma cidade costeira no sul do país, próxima ao Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária iraniana informou que suas forças derrubaram um drone americano que invadiu seu espaço aéreo e também dispararam contra um caça F-35.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou: “O exército dos EUA, que continua suas ações ilegais desde o cessar-fogo, realizou uma séria violação na província de Hormozgan nas últimas 48 horas”.
A pasta acrescentou que o Irã “não deixará atos hostis sem resposta e defenderá seu território”, sem entrar em detalhes adicionais.
Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), o ataque de terça-feira teve como alvo bases de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam colocar minas.
Apesar dos ataques, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em visita oficial à Índia, afirmou que um acordo ainda é possível, mencionando que as negociações “sobre a redação específica do documento levarão alguns dias”.
De acordo com a agência marítima britânica UKMTO, uma “explosão externa” danificou um petroleiro na costa de Omã, mas tanto a tripulação quanto a embarcação estão seguras.
Restabelecimento da internet
O líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou em comunicado transmitido pela TV estatal que Washington está perdendo influência e se afastando de sua antiga posição no Golfo.
Ele avaliou que os Estados Unidos não possuem mais um local seguro na região para lançar agressões.
Khamenei, que não aparece em público desde março, quando assumiu após a morte de seu pai no início da guerra, declarou que os países do Golfo, alvo frequente de ataques iranianos em retaliação à ofensiva israelense-americana iniciada em 28 de fevereiro, “não mais servirão de proteção para as bases americanas”.
Desde o início da guerra, as autoridades iranianas cortaram completamente o acesso à internet, que foi “parcialmente” restabelecido, segundo a organização especializada Netblocks.
No entanto, a organização destacou que “não é garantido que a conexão será mantida”, após a maior interrupção nacional da história.
O vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, afirmou que o governo já iniciou medidas para restaurar o acesso à internet.
Israel amplia operações no Líbano
No âmbito diplomático, autoridades iranianas, incluindo o principal negociador Mohammad Bagher Ghalibaf e o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi, retornaram de uma visita ao Catar para avançar em um marco de 14 pontos visando um acordo para pôr fim à guerra, segundo a emissora estatal Irib.
Em conversa telefônica com o líder do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o país está “disposto a alcançar um acordo respeitável para acabar com o conflito”, conforme relatório da Irib.
A agência iraniana Tasnim informou que os negociadores exigem a liberação dos ativos congelados pelas sanções internacionais.
O presidente americano Donald Trump busca uma solução para o conflito que afetou seriamente a economia mundial devido ao bloqueio iraniano do estratégico Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito. A reabertura dessa passagem é um dos principais objetivos das negociações.
O Irã solicita que qualquer acordo também inclua os combates no Líbano, onde Israel realiza uma ofensiva contra o grupo pró-Irã Hezbollah.
Israel intensificou seus ataques, que causaram 31 mortes segundo o Ministério da Saúde de Beirute. A trégua de 17 de abril não conseguiu cessar os combates, que começaram após a ofensiva do Hezbollah contra Israel no início de março.
Um oficial militar israelense informou que as forças israelenses estão ampliando suas operações terrestres para o interior do Líbano.

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