Brasil
Mudança de líderes antes dos investimentos
A Polícia Federal divulgou que, durante as investigações, foram percebidas alterações estratégicas na liderança do Rioprevidência pouco antes do início dos investimentos no Banco Master. Para a PF, a coincidência entre encontros do ex-governador do Rio Cláudio Castro com o banqueiro Daniel Vorcaro e os investimentos financeiros, junto com a troca de membros da diretoria do fundo, a omissão de etapas técnicas no processo decisório e a falta de justificativas formais para essas operações, sugere uma possível interferência política de Castro nessas aplicações.
Além do ex-governador, outras pessoas foram alvos na oitava fase da Operação Compliance Zero, incluindo o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues, o ex-gerente de Investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal e a ex-gerente de Controle Interno e Auditoria Fernanda Pereira da Silva Machado. Até a noite anterior, as defesas envolvidas não tinham se manifestado. No total, foram realizados dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Durante a manhã do dia anterior, endereços relacionados a Deivis Antunes foram revistados. Ele, que foi preso em fevereiro ao chegar pelo Aeroporto de Guarulhos vindo dos Estados Unidos, teria planejado seguir para o Aeroporto do Galeão, no Rio, mas desviou a rota, alugando um carro e indo pela Rodovia Presidente Dutra.
Uma operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal interceptou Deivis em Itatiaia, no sul do Rio. Ele deixou a presidência do Rioprevidência em 23 de janeiro, após a primeira fase da Operação Barco de Papel.
Ligação política nos aportes financeiros
O lobista Ricardo Siqueira Rodrigues é suspeito de facilitar a realização dos aportes de R$ 970 milhões do Rioprevidência em títulos financeiros do Banco Master. A investigação descobriu mensagens trocadas entre Ricardo e Vorcaro nas quais o lobista revela que os investimentos do fundo em letras financeiras dependiam de um acordo político. Ele também afirmou que o Rioprevidência possuía um ‘dono’.
Ricardo Rodrigues, agora implicado no caso Master, possui histórico como delator na Operação Lava Jato e em outras investigações conduzidas pela Polícia Federal.

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