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Crianças do Sudão do Sul comem plantas para sobreviver, diz ONG

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A fome extrema tem levado famílias e crianças no Sudão do Sul, um país enfrentando uma crise humanitária grave, a se alimentarem de plantas como folhas e ninfeias para conseguirem sobreviver, alertou nesta terça-feira (9) a organização britânica Save the Children.

A situação é particularmente alarmante no estado de Jonglei, onde as forças governamentais apoiando o presidente Salva Kiir estão em conflito com milícias leais ao seu adversário, o ex-vice-presidente Riek Machar, que está em prisão domiciliar.

A liderança política desviou bilhões do erário público, conforme informado pela ONU e outras entidades, deixando uma das populações mais pobres do planeta sem serviços essenciais.

A Save the Children ressaltou em comunicado que, em algumas áreas de Jonglei, famílias e crianças sobrevivem com plantas coletadas em pântanos e sementes que deveriam ser usadas para o plantio.

As mães percorrem longas distâncias nas planícies alagadas em busca de alimento para seus filhos, informou a ONG.

Mais de 7,8 milhões de pessoas no país sofrem com desnutrição severa, e algumas regiões encontram-se à beira da fome extrema, segundo a classificação atual da situação nutricional (IPC).

Os conflitos forçaram centenas de pessoas a deixarem suas casas no país mais jovem do mundo, que apesar de suas reservas petrolíferas, é marcado pela corrupção e pobreza.

Para Chris Nyamandi, diretor da Save the Children no Sudão do Sul, as condições podem se agravar com o início do período das chuvas.

Ele destacou que este ano apresenta maiores perigos que os anteriores devido à insegurança que compromete a produção agrícola.

A fome e a fraqueza extrema fizeram com que muitas crianças abandonassem a escola, enquanto outras foram forçadas a trabalhar ou casar-se precocemente.

O corte no auxílio internacional tem impactado principalmente os grupos mais vulneráveis de um dos países mais frágeis do mundo, conforme alerta Nyamandi.

Com o aumento das crises globais e recursos financeiros limitados, diversas nações reduziram sua assistência para o desenvolvimento.

O Sudão do Sul foi palco de uma guerra civil entre 2013 e 2018, envolvendo tropas leais a Kiir e Machar. Este conflito resultou na morte de mais de 400 mil pessoas e no deslocamento de quatro milhões.

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