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Crise na Venezuela: sobreviventes enfrentam falta de comida e abrigo
A situação humanitária na Venezuela piora drasticamente com a escassez de alimentos e a falta de moradia para milhares de pessoas, após os terremotos que causaram quase 2.000 mortes. No entanto, ainda há esperança após o resgate de uma criança de três anos nesta terça-feira (30).
No estado de La Guaira, o mais afetado, a falta de comida é generalizada e os serviços essenciais colapsaram, segundo alerta do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
“Aqui distribuem mantimentos, mas às vezes as pessoas brigam por comida, parece um galinheiro, ontem quase chegaram às vias de fato, é uma loucura”, comentou à AFP Daniela Armas, 18 anos, com o pé enfaixado e receosa de voltar ao apartamento danificado em Catia La Mar, La Guaira.
“Estamos dormindo no chão”, relatou Jenny Tortoza na mesma região, onde centenas de prédios desabaram.
Embora as chances de encontrar mais sobreviventes diminuam, o resgate de um menino de três anos por socorristas jordanianos reacende a esperança. Imagens mostram o menino sendo resgatado dos escombros e levado rapidamente a uma ambulância.
O número de mortes oficial subiu para 1.943 e a ONU estima aproximadamente 50.000 desaparecidos após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 em 24 de junho, um dos maiores desastres da América Latina.
O governo afirma que no dia do terremoto cerca de 30 mil pessoas estavam em La Guaira, das quais 6.461 foram resgatadas, mais de 13 mil conseguiram sair por conta própria ou com ajuda de familiares, e o destino das demais é desconhecido.
Risco de doenças
As necessidades são tão grandes que o Programa Mundial de Alimentos da ONU pediu 50 milhões de dólares para alimentar cerca de 500 mil pessoas por três meses.
Antes da tragédia, quase 8 milhões já precisavam de ajuda humanitária na Venezuela, que enfrenta uma crise grave. A agência de refugiados da ONU alerta para tensões crescentes devido ao acesso limitado à ajuda.
Além da urgência por comida e abrigo, há risco de epidemias. A Organização Mundial da Saúde alerta para pressão extrema sobre os serviços de saúde e perigo de doenças como sarampo, difteria e coqueluche.
“Seria necessário mais apoio”, afirma a médica voluntária Diorjailis Escalona, 23 anos, que, apesar do cansaço, agradece o suporte internacional com equipes de resgate, medicamentos e alimentos.
O governo contabiliza cerca de 16 mil desabrigados, porém a ONU estima sete milhões nessa condição.
O porto de La Guaira foi reativado pelos marines americanos para acelerar a entrada de ajuda. Um necrotério improvisado funciona nos armazéns do porto, segundo a AFP.
Busca angustiante
O governo militarizou La Guaira e exige autorização para acesso à área afetada.
27 países enviaram cerca de 40 equipes de busca e resgate, com mais de 2 mil agentes e profissionais, além de 160 cães, que continuam escavando escombros.
Parte da família de Soraida Torrealba ainda procura por ela entre os destroços. Sua irmã, Rosanna Luna, 44 anos, lamenta: “Sinto que estou de mãos atadas porque não a encontro, não sei nada dela.”
Fotos de pessoas desaparecidas circulam nas redes sociais com detalhes para quem quiser ajudar.
A Nasa estima que 58 mil edifícios foram danificados ou destruídos e a ONU calcula prejuízos de 6,7 bilhões de dólares, cerca de 6% do PIB do país.
Em meio à destruição, desabrigados, como Juan Cordero, técnico de futebol amador, motivava crianças a jogar em um campo improvisado em Catia La Mar.

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